12 horas em Marrocos

Nem sempre as viagens correm como esperamos. E não porque o destino não é o desejado, porque o tempo não o permite ou porque a companhia não é a ideal. Segundo alguns, “é um sinal de que não tinha de ser”. Para mim, mais do que um grande azar, uma grande desilusão.

Desta vez optei por vir numa viagem em circuito pelos arredores de Marraquexe (Marrocos) com a minha irmã, através de uma conhecida agência de viagens de aventura. No último ano fiz 2 viagens deste género, e embora o tenha feito sozinha nunca o senti assim: o viajar com um grupo de desconhecidos permite que as relações sejam breves mas intensas, algumas transpondo-se para a vida.

Depois de uma viagem também ela atribulada entre overbookings e as nossas próprias mochilas a entrar por acaso à última da hora (seria já um sinal?), demos por nós em Marraquexe totalmente sozinhas, recebidas por 2 guias locais. O choque inicial de que não haveria “um grupo” deu lugar à necessidade de, embora em férias, colocassemos o “modo relax” de lado para dar lugar ao modo racional: por muito boas referências que existam, 2 raparigas a passear sozinhas no deserto e desfiladeiros durante uma semana tem tudo para correr mal.

Após várias horas de tentativas frustradas e contactos sem sucesso, conseguimos finalmente agendar um voo de regresso a Lisboa para dali a 12 horas, e sair por um pouco do Riad onde deveríamos ter pernoitado.

De imediato fomos envolvidas pelas cores vibrantes, pelos tons quentes de pelos cheiros intensos. As pequenas lamparinas vendidas pelos artesãos misturam-se com a vasta oferta de especiarias, tecidos, sapatos e outros produtos locais. Em pequenos grupos, as pessoas juntam-se na praça principal para comer e beber, enquanto tocam pequenos violões e dançam animadamente. Por todas as bancas os seus donos tentam cativar nossa atenção, arriscando um italiano ou espanhol até chegarem a um português surpreendemente correcto e composto por mais do que as duas ou três palavras habituais.

Terminámos a noite a jantar numa banca um conjunto de skewers (espetada de carnes grelhadas numa chapa) com couscous de legumes e chá de menta, acompanhadas das cantorias e animação contagiante que surgiu espontaneamente entre os donos da banca.

Tudo correu mal nesta viagem. Excepto estas poucas horas que correram tão bem e que explicam o porquê de, nesta vida de quem gosta de viajar, não haverem problemas mas sim contratempos.

 

 

 

 

 

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