A natureza e a importância do silêncio

Há umas semanas comecei um registo diferente: todos os dias gravar cerca de 5 segundos de um momento marcante do meu dia, os quais são depois são reduzidos a 1 segundo e que no final darão uma montagem do meu mês ou ano.

Invariavelmente, os segundos que acabo por escolher pertencem às magníficas paisagens que tenho presenciado.  Tal não significa que não tenha outros momentos importantes – sejam eles sozinha ou acompanhada. Poderia facilmente escolher momentos filmados durante refeições ou outros de convívio, mas aqueles são os que mais impacto têm em mim.

Hoje, perante a imensidão de uma Lagoa que de Brava nada tinha, dei por mim a ter dificuldade em encontrar um momento de paz. Queria apenas um segundo – um único – em que pudesse registar o som das águas a bater na orla sem um ruído de fundo. E não consegui. A minha atenção fugia permanentemente para a música da esplanada local, para as crianças a brincar ao fundo, para os passos pesados sobre as areias atrás de mim… senti falta do silêncio, e acho que pela primeira vez lhe dei a importância e reverência devida. Quantos de nós valorizamos o silêncio, quantos de nós nos sentimos bem com ele? Eu não, certamente. Durante muito tempo, o silêncio incomodou-me, numa associação ao vazio. Mas só podemos valorizar o silêncio quando percebemos que ele está nos intervalos da vida do dia a dia.

Deixo o desafio: da próxima vez que estiverem num local imensamente belo, não falem, não comentem.. e experimentem ouvir apenas o silêncio e o que ele traz do meio que nos rodeia.

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