#Dia 113 – O Forte Inca de Samaipata

 São 3 e meia da manhã e a cidade de está deserta. Sem hostel reservado, estrada acima estrada abaixo – e por sorte esta é uma vila pequena – procuro pelo que tinha como referência e, por sorte, encontro a sua porta da frente aberta. Esgueirando-me para o interior, já contente por encontrar sofás, descubro com surpresa uma porta aberta para um quarto vazio, e aqui passo a primeira noite em Samaipata.

A luz da manhã dá uma percepção diferente, à medida que as lojinhas se abrem e os locais se passeiam para ir ao mercado fazer as compras do dia. Após comparar alguns preços apanho um pequeno “moto-táxi” e sigo a caminho de El Fuerte, o forte inca de Samaipata.

O forte de Samaipata faz parte do Parque Arqueológico e Ecoturístico Boliviano, sendo um complexo cerimonial e administrativo de tempos pré-hispânicos. Património cultural da UNESCO desde 1998, representa o maior centro de arquitectura rupestre do mundo.

O espaço está dividido em duas áreas: na cerimonial encontramos um rochedo de 220m de comprimento por 65m de largura, a “Rocha Esculpida” com representações de animais e formas geométricas, canais e motivos mágico-religiosos. Segundo o panfleto oficial, “tinha um uso hidráulico para rituais purificatórios e de fertilidade, com um possível calendário astronómico (…)”, sendo “uma das obras hidráulicas pré-colombinas mais imponentes do mundo”. Na verdade, os seus dois canais centrais são entrecortados por lâminas de pedra de sentido oblíquo, formando a aparência de diamantes de média dimensão, que aquando da passagem da água relembravam o “Dorso da Serpente”. Na área administrativa os incas desenvolveram zonas comerciais, de vigilância, armazenamento agrícola e militares.

Devido à sua dimensão e localização, acredita-se hoje que Samaipata era uma zona de articulação e integração das trocas das regiões adjacentes da Amazónia, grande Chaco e Andes. Posteriormente, terá sido capital de província do império inca (1500-1550) e forte espanhol para garantir a rota de união entre Assunção (Paraguai) e Lima (Perú), entre 1550 e 1650.

Destacam-se esculturas de alto relevo como o dorso da serpente, o puma e o jaguar
No ponto mais elevado, o “coro dos sacerdores” é um circulo de 7x5m
O Jaguar, em alto relevo (posição invertida)
parede inca e a figura do Puma
locais para colocação de múmias ou estátuas de adoração (1470-1490)
casas incas (1470-1490), onde se encontraram cerâmicas, instrumentos de cozinha e ourivesaria. Na base haviam estruturas de 500ac
casa espanhola (1630-1660)
praça central para rituais, desfiles e outros eventos sociais, ladeado por zonas de armazenamento

 

Onde ficar em Samaipata:

Fiquei no Hostel Andorina, a 60 bolivianos por noite (7,6 euros). Inclui wi-fi de boa qualidade, pequeno-almoço e cozinha equipada para preparar refeições. O espaço é acolhedor, amoroso, com um jardim interior onde estão diversas mesas bem iluminadas e muito tranquilo. Tem espaço de leitura e oportunidade de troca de livros. Para finalizar, alguns dossiers bem organizados explicam tudo o que há a saber sobre os tours da cidade.

Para além deste hostel, há diversas opções de alojamento na cidade a preços semelhantes ou ligeiramente mais caros.

Onde comer em Samaipata:

Há vários espaços de autoria alemã e holandesa espalhados pela cidade e onde se pode comer desde comida vegetariana a mexicana e puramente boliviana (Café Tango, La Cocina e La Vaca Loca respectivamente). De igual modo há cafés para acompanhar um café com uma fatia de bolo (como por exemplo o 1900 ou o bar com música ao vivo Bohème). Para um almoço ou jantar tradicional num espaço modesto e pertencente a bolivianos aconselho o “Con-fusion”, com pratos bem servidos pelo preço de 12 a 15 bolivianos (1,75 euros).

Para lanchar, o Caff’e Art é o espaço a ir, com preços acessíveis, cookies de diferentes sabores e vários bolos de fatia. Fica na Calle Bolivar.

Deslocações em, de e para Samaipata:

A maior parte da população desloca-se a pé ou de mota; para os turistas, a cidade é acessível a partir de Sucre ou Santa Cruz via autocarro (diurno ou nocturno), e por pequenos autocarros de transfert que fazem nomeadamente o circuito Samaipata – Santa Cruz.

Para os pontos turísticos há a opção de moto-táxi, táxi ou a compra de uma excursão, qualquer um destes com preços bem acima da média para o nível boliviano.

Para chegar ao Forte pode-se pedir um táxi (100 bolivianos por veículo, 12 euros), ir de moto-taxi (20 bolivianos por pessoa e por sentido) ou partilhar um tuk-tuK (60 bolivianos total).

O autocarro Samaipata – Santa Cruz custa 25 bolivianos e saí todos os dias às 13h, demorando 3 a 4 horas. O transfert fica por 30 bolivianos (3,80 euros) e sai a várias horas do dia (horário não fixo). A viagem de Samaipata até ao aeroporto fica em 120 bolivianos (mas o preço depende do número de pessoas e a viagem não é garantida). O serviço de expresso é mais caro, 230 bolivianos, mas vão buscar ao aeroporto.

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