#Dia 19 – Ir ao céu e voltar

– Nunca – na minha vida pensei que viria ao Hawaii. É daquelas coisas tão distantes, tão improváveis que sempre assumi que estava fora da minha lista de locais a conhecer. Não porque não quisesse, mas porque… não ia acontecer.

De todas as vezes que vi imagens do Hawaii ao longo destes anos houve dois locais que se destacaram: o trilho Stairway to Heaven (ou Haiku Stairs) e a costa de Napali.

Cheguei ao Hawaii como pleno Plano B após o engano que me tinha levado a San Jose (Califórnia) ao invés de San José (Costa Rica). Pensei ficar por uns dias e ver a ilha principal. Neste momento estou em Kauai, depois de quase 2 semanas a explorar O’hau e já de viagem marcada para Big Island, terminando a visita em Maui.

– Nunca – na minha vida pensei que poderia ver a magnitude da costa de Napali, até ao meu 32º aniversário e 23 dias de existência, o 19º dia desta viagem, o dia de hoje.

Nos últimos dias explorei activamente todas as alternativas de voos de helicópteros que existiam. Preços mais ou menos elevados, circuitos mais ou menos longos, parar ou não em alguns locais, janelas abertas ou fechadas… tudo ponderado, optei pelo voo mais barato que encontrei e que de todo não me decepcionou. Nem podia.

Voando a partir de Lihue, sobrevoei as florestas tropicais da ilha, os seus campos de cultivo, as suas dezenas de cascatas e os seus desfiladeiros. Calei-me perante os penhascos rasgados que culminam nas nuvens e em águas azul turquesa. Vi como a natureza se consegue reconstruir depois de um incêndio e o quanto o homem consegue ser destrutivo se não encontrar o seu equilíbrio com o meio. Estive na cratera de um vulcão extinto e senti-me verdadeiramente de volta aos tempos jurássicos.

Estar numa cápsula tão pequena e tão acima do solo faz-nos ter uma noção de perspetiva totalmente diferente do habitual, quer física quer mental. Faz-nos sentir pequenos, insignificantes perante toda a magnificência do mundo, perante a sua imponência, perante a sua graciosidade. Faz-nos relativizar tudo e querer agarrar o agora.

No dia em que a minha mãe completou 60 anos, senti que não fiz esta viagem sozinha. Hoje senti que estava mais perto do céu. E, posso garantir, a vista do céu é lindíssima. Aguardam-nos tempos felizes no fim da maior Viagem de todas.

Este texto é para a minha avó.