Dicas para percorrer a Patagónia (quase) sem stress

Confesso que, praticamente até à minha chegada – e mesmo durante a minha permanência – o mundo “Patagónia” era tão grande quanto o meu desconhecimento acerca de como fazer para visitar os seus locais… Há muitos anos que ouvia falar de Ushuaia, El Chatén, Monte FitzRoy, Torres del Paine… já tinha ouvido sobre estes locais mágicos e visto fotografias e documentários… queria ir. Mas não sabia como.

Não tendo por hábito programar tudo com muita antecedência – algo que se contrapõe à minha habitual forma de ser, mas em que o Agora fala mais alto que o Amanhã -, falar com muitas pessoas que já fizeram estas caminhadas foi sempre uma ajuda mais que preciosa, quase que diria indispensável. Sem elas, não teria conseguido tirar o melhor proveito da minha estadia.

Este é o relato da minha viagem, desde a chegada a Ushuaia, onde fui ficando e como me fui deslocando para norte para as zonas que pretendia visitar. Haverão relatos diferentes, talvez melhores… mas esta é a minha contribuição! =)

 

  1. O Mapa

Antes de iniciar este “segundo acto” da minha viagem, tratei apenas de localizar no Google Maps os pontos que pretendia visitar. Como dica de orientação, a Patagónia divide-se em “Patagónia Argentina” e “Patagónia Chilena”, países enrodilhados nos confins da América do Sul e que são frequentemente cruzados o longo desta “exploração”. Tem uma área superior a 1.043.080 quilómetros quadrados e cerca de 2 milhões de habitantes.

 

  1. Chegada a Ushuaia

Ushuaia, ou a Terra do Fim do Mundo, pertence à Patagónia Argentina e é a cidade mais austral do planeta. Podem ler mais sobre Ushuaia aqui.

Cheguei a Ushuaia vinda de Buenos Aires, um voo com saída do Aeroporto Ezeiza (EZE) às 6h da manhã, com chegada pelas 10h e uma pequena escala em Trelew. Durante a minha estadia fiquei hospedada 5 noites no Hostel Cruz del Sur.

Os pontos visitados em Uhsuaia foram: o centro da cidade, a Laguna Esmeralda, o Glaciar Martial, o Parque Nacional Tierra del Fuego e fiz ainda um tour de barco pelo Canal Beagle.

 

  1. De Ushuaia até Puerto Natales

Partindo de Ushuaia – e caso não visitemos a Antártida – só podemos rumar a norte. As próximas cidades de referência são habitualmente Punta Arenas e Puerto Natales.

Há autocarros que, diariamente, levam locais e turistas até cada uma destas cidades. Eles partem da central de autocarros da cidade. Fui pela companhia “Bus Sur”, com partida pelas 8:15h e chegada a Punta Arenas às 18h.  Aqui há duas opções: pernoitar em Punta Arenas ou fazer mais um esforço e apanhar um segundo autocarro de 3 horas até Puerto Natales. Esta última foi a nossa escolha e chegámos às 21:30h.

Toda a viagem fica em 1500 pesos ou 60,5 euros (1200 pesos para Punta Arenas e 300 para Puerto Natales). Os autocarros não são os mais confortáveis para tantas horas de viagem, nem têm wi-fi.. mas tem ligação USB para carregar os telemóveis e outros dispositivos electrónicos.

 

  1. Cruzar a fronteira chilena

Até San Sebastian, a última cidade antes da fronteira, a estrada é suava e o caminho decorre sem sobressaltos. Em San Sebastian paramos para um último carimbo argentino, voltando depois ao autocarro para mais 20 minutos de estrada até ao Chile.

A primeira sensação que tenho do Chile é de um vento poderoso que nos empurra em todas as direcções. Na fronteira com o Chile temos de mostrar os passaportes (enquanto europeus não necessitamos de visto de permanência) e posteriormente passar as bagagens num tapete de segurança. Aqui, todas as comidas “não cozinhadas” têm de ser deixadas para trás: frutas, legumes ou sandes não podem atravessar, por questões de segurança alimentar e preservação de espécies locais. Este é o poster afixado na fronteira, com todos os produtos interditos:

Os primeiros muitos quilómetros de estrada serão acidentados e muito desconfortáveis.

 

  1. Puerto Natales

Puerto Natales é uma pequena cidade às portas de Torres del Paine. Aqui fiquei no Hostel Zaltaxar, onde o dono – “Pancho” – deu todas as informações necessárias para que os próximos dias decorressem da melhor forma possível.

Infelizmente, as regras mudaram pouco após a nossa chegada e não foi possível percorrer o Circuito W como tínhamos planeado. Ainda assim consegui ver 2 dos principais pontos de interesse deste magnífico Parque Nacional. Se tencionam permanecer alguns dias no Parque – e não apenas ir e voltar no mesmo dia – aconselho fortemente a que façam as vossas reservas de alojamento com antecedência.

O artigo sobre o Circuito W tem todas as informações de que precisam para começar a preparar a vossa própria viagem a Torres del Paine.

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