Visita de 2 dias a Dresden

Contexto histórico

Dresden, de pronúncia “Driesden” e significado “solo pantanoso”, é uma cidade alemã muito conhecida pelo fatídico bombardeamento ocorrido a 13 de Fevereiro de 1945. Por tal ter acontecido somente 2 dias antes do fim oficial da 2.ª Guerra Mundial crê-se que este ataque, que levou à morte estimada de 25 a 30 mil pessoas e à destruição de praticamente toda a cidade foi um acto de vingança desnecessário e por isso um crime de Guerra totalmente injustificável. Toda a cidade foi posteriormente reconstruída mantendo o estilo barroco original, pelo que será uma réplica quase perfeita da Dresden do pré-guerra.

Da sua história monárquica sobressai sobretudo Augusto, o Forte (Augusto II, 1670-1733), cuja lenda conta que teve “quase 365 filhos e muito poucas amantes”. De linhagem protestante, Augusto converteu-se ao catolicismo como forma de subir ao poder, tornando-se o Rei da Saxónia em 1697 e com apenas 27 anos de idade.

A Saxónia, região montanhosa muito rica em prata e zinco, manteve-se como país independente até 1871, altura em que integrou a Alemanha como um estado federal, à semelhança do que aconteceu com a Prússia ou a Baviera. Em algumas zonas notam-se ainda registos do regime soviético, com zonas residenciais de arquitectura alta e repetitiva.

Dresden dos nossos dias

A magia de Dresden reside pois no seu envolvimento histórico e na capacidade de recuperação, reorganização e reconstrução da cidade desde a sua raíz, praticamente dizimada pelos bombardeamentos, recuperando-se integralmente todos os seus principais edifícios como réplicas exactas.

Passear no centro histórico de Dresden é por isso um regresso ao passado com cheiro de actualidade, com igrejas e museus de linhas barrocas voltadas para amplas praças ou estreitas ruelas e a albergarem simpáticas esplanadas.

Seguidamente a Berlim e a Leipzig, Dresden é actualmente a 3ª maior cidade da Alemanha do Leste, com cerca de 500 mil habitantes. É uma cidade plana, atravessada a meio pelo Rio Elba e que pode facilmente ser percorrida a pé. Em termos práticos, podemos considerar 2 pólos principais: Altstadt (ou cidade antiga) e Neustadt (ou cidade nova). Existem outros bairros interessantes e com vida própria como Blasewitz, Weiber Hirsch, Kleinschawitz, Laubegast e Strehlen que não foram destruídos pela guerra e possuem fabulosas vivendas de arquitectura prévia ao confronto.

Espaços que vale a pena conhecer

Sem qualquer ordem em particular ou orientação geográfica, até porque o centro histórico é mesmo muito pequeno e fácil de percorrer a pé, aqui fica a minha sugestão dos principais pontos a visitar:

  1. Frauenkirche de Dresden (Igreja de Nossa Senhora) – Situada na grande Praça Newmarkt, esta igreja foi intensamente bombardeada e caiu totalmente 2 dias depois, tendo sido reconstruída e reaberta em 2005 a propósito da celebração dos 800 anos da cidade. De estilo protestante, o seu exterior, em arenito, apresenta uma mistura perfeita de pedras claras e escuras, as últimas das quais pertencem à fachada original. Tem uma torre de observação de 67 metros de altura com vista sobre toda a cidade (custo de 8 euros, encerra às 18h).
  2. Albertinum – este museu, que antigamente era um armazém das forças armadas com estábulos e coches, actualmente aloja a Galerie Neue Meister (Galeria dos Novos Mestres, com pinturas do sec.XIX) e uma colecção de esculturas com peças de Rodin e Gaugin e um arquivo histórico (agora localizado no tecto, depois das cheias de 2002 que inundaram quase 10 metros de altura do museu). Era também o local onde estavam guardadas as joias de Augusto forte antes de serem levadas para a Rússia pelos comunistas. O bilhete diário custa 10 euros mas é possível atravessar a sua nave central sem pagar.
  3. Painel Furstenzug (Procissão dos Príncipes) – horizontal e numa extensão de cerca de 30 metros, representa a história dos reis e duques da Saxónia ao longo de mil anos. Este mosaico era originalmente uma pintura que posteriormente foi substituída por painéis dourados de porcelana, numerados e colados um a um sobre a parede entre 1904 e 1907 para protecção contra as chuvas.
  4. Semperoper (Ópera de Dresden e Salão de Concertos) – localizada sobre o Elba e muito próxima do palácio Zwinger, é na realidade o 3º edifício do género, seguindo o original de 1841 projectado por Gottfried Semper – o 1º foi devastado por um incêndio (1869) e o 2º foi bombardeado (1945). Recebeu grandes nomes como Mozart e Wagner, que aqui estreou várias peças. Tem visitas guiadas.
  5. Hofkirche – solicitada por Augusto o Forte, que embora convertido à igreja protestante por questões políticas, manteve a fé católica edificando esta igreja junto ao castelo e à ópera. Da sua conformação destaca-se o corredor que circunda a nave central, por forma a permitir que a procissão católica decorresse dentro da igreja, sem incomodar a população protestante.
  6. Palácio Zwinger – É um palácio dos finais do século XVIII, local onde decorriam os principais bailes da corte. É formado por um conjunto de edifícios baixos e trabalhados em estilo barroco, que abrem para um jardim central. Actualmente é ocupado por 3 colecções: a Galeria dos Grandes Mestres Renascentistas (cuja obra mais famosa é a Madona Sistina de Rafael), a Porzellansammlung ou colecção de porcelana chinesa e japonesa e o Mathematisch-Physikalischer Salon (Salão de matemática e física, com todos os equipamentos antigos relacionados com estas temáticas). O bilhete diário para o complexo Zwinger é de 10 euros; os individuais são 10, 6 e 6 euros respectivamente. O acesso aos jardins é gratuito.
  7. Residenzschloss (Palácio Real de Dresden) – O Residenzschloss é a antiga residência real, com vários estilos arquitectónicos entre o barroco e o neorrenascentista, e uma torre cujo acesso também é possível.
    Nos dias de hoje é também espaço museológico de 4 níveis que alberga respectivamente: o Grunes Gewolbe (Alas Nova e Antiga do “Cofre Verde”), a Galeria dos Príncipes e uma Biblioteca de Arte, uma secção de História e Vestuário Medieval do Séc.XV, a Ala Renascentista (pisos 0 e 1), o Munzkabinett (Secção de Moedas Antigas), Riesensaal (Sala de Armaduras) e Turckische Cammer (Câmara com Tendas Turcas) no 2º piso, e finalmente o Kupferstich Kabinett (Ala de Pintura e Fotografia) no 3º piso. O museu está aberto das 10h às 18h e encerra às 3ª feiras. O custo de acesso é de 12 euros (11 para grupos de 10 ou mais visitantes) e é gratuito para crianças e adolescentes até aos 17 anos. Atenção que o preço para visitar a Ala Antiga do Cofre Verde (piso 0) é de 12 euros, e este valor não está incluído no bilhete geral. A melhor opção para quem quiser tirar o máximo partido de toda a estrutura museológica é adquirir o bilhete diário, que fica por 21 euros.
  8. Kreuzkirche (Igreja de Santa Cruz) – igreja católica perto da praça Altmarkt, tem também uma torre com vista sobre a cidade cujo preço de acesso é de apenas 2,5 euros. É a maior igreja da Saxónia, tendo concertos regularmente.
  9. Museu de etnologia – também edificado por Augusto o Forte, foi inicialmente desenhado para albergar a colecção de porcelana, tendo por isso um estilo japonês.
  10. Grober Garten – é o maior parque da cidade, junto do qual se pode encontrar a Fábrica da Volkswagen (um edifício envidraçado, de modo que se pode ver efectivamente as linhas de produção!) e o Estádio de Futebol do Dynamo Dresden.

Dresden à noite

A vida nocturna de Dresden ocorre sobretudo do lado novo da cidade, em Neustadt. Apesar de a sua tradução literal significar “cidade nova”, Neustadt alberga os edifícios originais do pré-guerra, sendo as fachadas dos prédios residenciais do chamado “Estilo dos Fundadores” e datadas do século XIX (1871).

Esta zona é rica em bares e restaurantes típicos, lojas mais alternativas e contemporâneas, street art e nightlife. Para lá chegar pode-se atravessar a ponte de Alberto (Albertbrucke), ou idealmente apanhar um táxi ou o eléctrico até Albertplatz. Esta última foi a minha opção, que ficou em 2,30 euros por trajecto e em 10minutos de viagem. O mesmo percurso, por táxi, fica em perto de 10 euros.

Para saborear um bocadinho deste ambiente, aconselho subir pela rua Alaunstrabe, cruzar pelos pátios interiores (um dos mais giros é o Kunsthofpassage, entrando-se na zona assinalada por uma placa com uma vaca amarela voadaroa) e descer pela Gorlitzer e depois Rothenburger Strabe, novamente em direcção à linha do eléctrico.

o Balcão da Europa, visto de uma das pontes

 

De e Para

Pela sua localização, Dresden é uma paragem mais do que justificável entre Berlim e Praga, por exemplo. Pode também usar um fim de semana e combinar com outras cidades alemãs como Leipzig, Frankfurt ou Nuremberga.

Nota: actualizado a 3 de Outubro 2017

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