Hilo e os dias normais

Fiquei em Hilo um total de 13 dias, entre 29 de Janeiro e 10 de Fevereiro, muito mais do que esperava e sem dúvida mais do que o necessário.

Não por Hilo ser um local que nos conquiste – que sinceramente não acho que seja – embora se vá aprendendo, devagarinho, a gostar dele. Hilo, na zona leste da Big Island (a maior das ilhas havaianas), apresenta uma população carenciada, com maior quantidade de sem abrigo e toxicodependentes do que qualquer local visitado até agora (e contudo sem criminalidade aparente). Os seus edifícios relembram casas dos finais do séc.XVIII, casas comerciais em madeira e cores vivas não apagadas pelo tempo. No seu topo, uma inscrição com o ano de construção e a sua função ou proprietário original. O facto de ser uma das cidades mais chuvosas dos Estados Unidos também permite que esteja rodeado das zonas mais verdejantes de toda a ilha.

Ainda assim, Hilo é o maior local que se pode encontrar perto do Parque Nacional dos Vulcões, conferindo-lhe uma importância que enquanto cidade não consegue acompanhar ou usufruir pelos problemas já mencionados acima. Ao visitante, transmite a imagem de falta de planeamento e de um projecto de futuro. É ainda assim um local emergente em artistas nacionais e recebe, anualmente na Primavera, o Merrie Monarch  – festival de Hula e cultura Havaiana.

Qualquer viajante que usufrua do sistema de couchsurfing acaba por, inevitavelmente, partilhar o dia-a-dia com os seus anfitriões. Tal significa partilhar os seus horários, os seus ritmos e os seus hábitos.

Em Hilo acabei por viver dias completamente banais, intercalados com vistas deslumbrantes de cascatas surreais, parques e trilhos “secretos” e, claro, tudo o que o Parque Natural dos Vulcões tem para oferecer. Entre idas ao supermercado, aos centros de reciclagem ou lojas de conveniência e ferragens, descobri também um estúdio onde músicos se reúnem a cada segunda-feira para tocar jazz de improviso, um bar com música ao vivo que após as 22h ganha nova vida com Karaoke, os cocktails em happy-hour naquele que foi em tempos o primeiro banco da ilha (e onde ainda se podem ver os cofres originais) e os mercados de agricultores e artesãos. Tive almoços e jantares tardios, abri frigoríficos e re-organizei armários, cozinhei e partilhei histórias à mesa, estendi-me no sofá e dormitei pela tarde fora ao ver um filme. E, no meio de tantos dias turísticos, estes deram um gostinho a casa e também valeram inteiramente a pena.

 

Zona antiga de Hilo

 

Cartoons

 

Zona antiga de Hilo

 

Jazz à 2ª feira, no Kukuau Studio

 

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