Lahaina (Maui)

 Aproveito a boleia da Sarah, uma americana de 19 anos alojada com o mesmo couchsurfer que eu e chego a Lahaina pouco depois das 8h. A cidade ainda dorme, pelo que caminho a passo demorado saboreando cada metro da rua principal com os olhos de um estranho que descobre um local pela primeira vez.

Lahaina fica a cerca de 25 minutos de carro de Ma’alaea e é das cidades mais vibrantes da ilha de Maui. A sua actividade económica desenvolve-se ao longo de uma avenida principal revestida de pequenos edifícios com frontões e varandas de madeira finamente aprumadas, com um charme distinto e elegante. De cores suaves e equilibradas, sem desbotar pelo tempo, os elementos de antiguidade são-nos dados pelos traços antigos das estruturas, intercaladas por alguns edifícios históricos. Esta avenida por categorizada como uma das “10 Great Streets” dos Estados Unidos pela Associação Americana de Planeamento. Paralela a esta desenvolve-se o porto de Lahaina, de onde diariamente saem as excursões para snorkell, observação de tartarugas ou, nos meses de inverno (Dez – Fev), para observação do fenómeno de migração das baleias.

Observo os lojistas a iniciar as suas funções e, lentamente, a cidade a ganhar vida a partir das 9h da manhã, com os turistas mais matutinos a procurarem o pequeno-almoço num dos muitos restaurantes e coffee-shops.

Lahaina é a cidade com mais galerias de arte por habitante de todo o território dos Estados Unidos. Por toda a avenida as portas abrem-se para revelar espaços encantadores e coloridos, preenchidos por esculturas mais ou menos elaboradas, fotografias de paisagens locais e longínquas e pinturas de diferentes estilos e dimensões. Entrar numa destas galerias é uma visita turística em si própria, ou não fossemos catapultados para outro mundo dentro deste. As noites de sexta-feira são especiais para turistas e lojistas, ficando as galerias e restantes estabelecimentos abertos até mais tarde.

A avenida principal é interrompida a meio por um grande jardim público que alberga no seu centro um ainda maior Banyan, ou “Figueira de Bengala”. Esta árvore, importada da Índia em 1873 por ocasião da celebração dos 50 anos da primeira missão cristã de Lahaina, é uma das maiores árvores dos Estados Unidos, com cerca de 400 metros de perímetro. Neste momento conta já com 16 troncos oriundos do tronco original – ao longo dos anos, jardineiros foram definindo através de grandes barris de água onde queriam que as suas raízes aéreas encontrassem o solo e se desenvolvessem por forma a manter a simetria global -, e emana uma forte energia espiritual (ou mana) que nos faz querer repousar na sua sombra e admirar a sua grandeza.

Numa das arestas desta praça encontra-se o Old Lahaina Courthouse (1859), uma casa-museu no interior do qual o Centro de Visitantes nos dá preciosas indicações sobre o que ver nas ruas da cidade. Este edifício governamental, considerado um dos mais elegantes do Hawaii quando terminado, foi também na sua época posto de correios e local de recepção da família real. Penduradas nas suas paredes, fotografias datadas de 1900 acompanham pequenas histórias que mostram como era a cidade nesta altura. Para além de outra galeria de artistas locais, é subindo as escadas que encontramos uma exposição permanente com a história do Hawaii e de Lahaina, repleta de relíquias como instrumentos de agricultura ou navegação antigos, frascos medicinais, armas de defesa, utensílios de cozinha e – jóia da coroa – a bandeira havaiana original, destituída em 1898 e devolvida às suas gentes 100 anos depois.

Lahaina, antiga capital do reino do Hawaii, tem 62 locais históricos devidamente identificados por toda a cidade. As suas origens remontam a 1800, com viveiros de peixe e terrenos ricos na plantação de taro, húmidos pelas águas dos vales circundantes. A produção de açúcar (até 1950) juntamente com a intensificação da caça à baleia em 1800 degradou o seu aspecto e as suas gentes, tornando-a “suja e cheia de mosquitos”. Os primeiros trabalhadores estrangeiros nestas plantações começam a chegar a partir de 1852, onde se incluem os portugueses anos mais tarde.

São exemplos a casa-museu de Baldwin, a prisão (1852, onde os marinheiros eram detidos por conduta imprópria) e algumas igrejas (como Waine’e Church – 1828 – a primeira igreja católica do Hawaii).

vista do porto de Lahaina

ruas de Lahaina
Galerias de Arte
o grande e antigo Banyan

a antiga prisão de Lahaina

 

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