#Dia 45 – Maui, o início

Deixei Big Island depois de 3 semanas que eram para ter sido apenas 3 a 4 dias, chegando finalmente à última das ilhas que pretendia visitar: Maui

Chego ao aeroporto com a noite já instalada, onde encontro o Richard, – um engenheiro aeroespacial reformado – de 72 anos que até ao momento já recebeu mais de 450 couchsurfers de todo o mundo! Após uma breve ida ao supermercado empurro as malas pelo hall do apartamento, onde sou recebida não por uma mas 3 raparigas: uma polaco-americana, uma japonesa e uma romena (que se encontrava de partida). Nos próximos dias, ficarei alojada num apartamento fantástico de rés-do-chão, com acesso directo para um jardim de palmeiras, uma piscina que se vê do sofá e uma baía – a mesma em que, a primeira coisa que vi esta manhã e após pestanejar várias vezes (não fosse ainda estar a dormir!), foi uma baleia a acenar com a sua cauda.

Tomo o pequeno almoço enquanto corro as mensagens recebidas pelo telemóvel ao longo das 10 horas de diferença que separam Portugal do Havai. Richard oferece-se para me levar numa volta pela zona sul da ilha, numa breve vista sightseeing. Seguimos no Corvette vermelho que acelera nas pseudo-auto-estradas da ilha em direcção a La Perouse, onde os mais recentes terrenos vulcânicos (com cerca de 300 anos) encontram o mar. Neste local ainda se vislumbra perfeitamente um pequeno vulcão, daqueles que nos acostumámos a ver no livro do Principezinho, com todo fluxo negro derramado ao longo de uma das suas encostas. Voltámos pela estrada da costa, o carro a correr a mesma baía que vi de manhã e que me permite orientar no espaço em relação ao local em que me encontro., Ma’alea.

La Perouse
Makena State Park
Koho’olawe

Neste viagem tomei cedo a decisão de que o primeiro dia em cada novo local é para organização e orientação. Não pretendendo andar a correr, prefiro sentar-me a estudar tudo aquilo que me interessa visitar, a marcar os locais no mapa e a comparar os melhores preços para cada oferta.

Após o almoço caminho 3 escassos minutos até ao complexo portuário, constituído pela marina, algumas instalações e lojas. O meu primeiro ponto de paragem é a Pacific Whale Foundation. Maui faz parte da rota de migração das baleias e esta ocorre precisamente na época de inverno, com o seu pico entre Fevereiro e Março. Um folheto informativo chama a minha atenção sobre um festival educativo que se encontra prestes a terminar mas, no final da esta página, encontro algo que ainda me atrai mais: experiências de voluntariado diferentes a cada dia da semana, cada uma com pequenas horas de duração. Acabo por solicitar a inscrição em duas das actividades, saindo com mais dois folhetos com preços competitivos sobre as tours existentes.

Entro e saio de algumas lojas, os produtos demasiado atractivos para a carteira de uma couchsurfer de mochila às costas por tempo indeterminado. Dirijo-me para o Maui Ocean Center  perguntando à entrada, o relógio a roçar as 17h, se ainda podia entrar somente para visitar a loja. Richard tinha-me avisado de que a entrada no Aquário custava 29USD, e tendo algo semelhante (e maior!) em Portugal não havia muito para tal. Deixam-me passar, e qual não é o meu espanto quando percebo que não há qualquer barreira física que separe a loja do resto do Aquário! Acabo por visitar todo o aquário em passo intermédio, mas com a vantagem deste já estar praticamente vazio e sem pagar nada por isso!.

Medusas
Manta-Raia

Volto para casa pelo relvado que separa o condomínio da baía, o sol a pôr-se por detrás das nuvens. Mais baleias ao fundo. Uma piscina que chama, a água fresca que refresca, os aviões a passar por cima das palmeiras. E alguém lá em cima a olhar por mim.

Há dias em que me sinto tremendamente abençoada. Não que seja religiosa, mas há coisas que parecem correr tão bem que se tornam difíceis de acreditar. Coincidências, golpes de sorte, chamemos-lhes o que quisermos.

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