Minca e uma rede no topo do mundo

Ganho um dia de viagem após ter fugido do caos de Medellín e o destino escolhido em alternativa não levanta quaisquer dúvidas ou hesitações: Minca.

            À semelhança de tantos outros locais que faço por visitar, é através de fantásticas fotografias que deles tomo conhecimento. Minca é uma aldeia que marca um ponto de acesso à verdadeira selva colombiana, em pleno Parque Natural da Sierra Nevada de Santa Marta.

              Tida nas mãos das guerrilhas até cerca de 2000, foi até essa altura considerada inclusive uma “zona vermelha”, isto é, uma zona de alta perigosidade devido ao tráfico de drogas, arma e pessoas. A chegada dos para-militares nesse ano veio mudar a situação, e é em 2002 que Minca começa, lentamente, a mudar a sua face e a receber os primeiros turistas.

              Hoje em dia, Minca é um porto seguro para quem quer escapar do rebuliço das cidades de Bogotá, Medellín e até Cartagena. A aldeia oferece meia dúzia de restaurantes e bares, alguns deles já com um bom toque ocidental, oferecendo os muito-amados “brunches”.

              O céu ganha mais e mais nuvens e é altura de apanhar um moto-taxi, que me levará ao longo de 45 minutos pela montanha fora, colina após colina, as árvores imensas de cada lado da estrada, até chegar ao meu destino: a Casa Elemento.

              De imediato percebo que não podia ter ficado em outro local, e todas as expectativas se cumprem. Mentira, são superadas. Há avançados de madeira, após os quais várias redes de vários metros quadrados fazem a delícia dos viajantes. Deixo as malas no meu dormitório, a minha cama junto ao enorme painel de vidro, e passo o resto da tarde entre a cama (com vista privilegiada), o alpendre e a enorme rede que nos pertence. Esta não é contudo a maior – a maior (maior do mundo!!) está a apenas 10 minutos de distância, numa caminhada pela floresta.

Redes e redes.

              A vista é soberba, a floresta gigante e nada mais existe que a natureza. Aqui estamos verdadeiramente em contacto com o nosso elemento principal, a mãe Terra. A bruma adensa-se e, de repente, a chuva começa a cair com força. Nada mais se ouve que a chuva sobre o solo e as copas das árvores. Não há palavras, porque as palavras são desnecessárias e estragam o silêncio. Sim, o silêncio que os humanos tanto teimam em roubar (digam-me se conseguem estar 15 segundos sem qualquer fonte humana de ruído e depois venham dar-me razão). O tempo passa, e das 15h da tarde passa para as 19h. Não dei por nada.

Só verde.

              Montada na mota de regresso à aldeia, fecho os olhos, abro os braços, inspiro fundo e confio. À semelhança da sensação impressa pela montanha, deixo-me levar. Sinto-me verdadeiramente feliz. Sinto que é isto que me faz sentido, é isto que me alimenta, é isto que me faz viver. Que nunca me cortem as asas.

A soberba vista sobre a selva colombiana
A Cascata Mirinca, localizada entre Minca e a Casa Elemento

Como chegar

              A cidade de referência é Santa Marta, de onde a melhor opção é apanhar um táxi. A viagem dura cerca de meia hora e vale aproximadamente 30 mil pesos.

Onde comer

              Por duas vezes fui almoçar ao Lazy Cat, um restaurante com esplanada sobre o rio Minca, muita variedade de comida (incluindo Woks e vegetariano), óptimos sumos naturais e wi-fi.

Onde ficar

              Conforme falado no texto acima, a minha escolha tem de recair na Casa Elemento, uma das experiências de alojamento mais incríveis que já tive. Este hostel tem ainda quartos de casal, serve refeições completas, tem piscina, mesa de snooker, uma pequena sala de cinema estilo anfiteatro e um bar. À noite não são raras as vezes em que é acendida uma fogueira, enquanto nos deixamos embalar na oscilação das redes.


. Quartos compartilhados – 40 mil pesos por pessoa, por noite
. Cabanas duplas com vista (sem casa de banho) – 150 mil pesos por noite
. Quartos privados com banho – 150 mil pesos por noite
. Quarto privado em quinta (apenas 1 disponível) – 100 mil pesos por noite
. Quarto privado em quinta (apenas 1 disponível) – 100 mil pesos por noite
. Casa na árvore – 120 mil pesos por noite
. Hamacas (redes individuais) – 25 mil pesos por noite

. Aluguer de motas (150 mil pesos por dia ou 30 mil por hora)
. Aluguer de bicicletas (120 mil pesos com guia ou 100mil sem guia)


. Tour de mota (4 a 5 horas de duração, com passagem em Pinos, Pozo Azul, La Victoria e Cascata Marinca) – 90 mil pesos
. Tour de caminhada com guia (entre 6 e 7 horas) – 120 mil pesos, preço variável. Mesmas paragens.
. Tour de observação de pássaros – com guia e binóculos – 40 mil pesos

              Contudo, Minca está repleta de hostels e hotéis de charme que vale a pena explorar, todos eles acessíveis a pé, de táxi ou de moto-táxi.

Como deslocar em Minca?

              A selva adensa-se contra a montanha e as colinas impedem que os carros vão demasiado longe. A melhor forma de deslocação é de moto-taxi. Recomendo a empresa Moto-Mink, super profissionais. A viagem até à Casa Elemento foi 20 mil pesos e no dia seguinte, por 40 mil, foram buscar-nos, levaram-nos à Cascata Marinca e ao Pozo Azul e de regresso à aldeia.

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