Mundo de Plástico

Sempre tive um certo grau de preocupação ambiental, tentando fazer dentro do possível as escolhas mais adequadas no meu dia-a-dia. Sim, ainda peco por não deixar o carro em casa, mas de resto tento tomar opções conscientes e que no fundo, uma vez instalados os hábitos, não custam absolutamente nada (e até fazem poupar, cêntimo a cêntimo, algum dinheiro).

Falo de hábitos tão simples como fechar a torneira enquanto lavo os dentes, tomar duche em vez de usar a banheira (e tentar ser sensata no tempo e volume de água), separar os lixos e fazer reciclagem, optar por produtos reciclados, evitar comprar garrafas de água usando ao invés disso sempre uma de vidro e utilizando nas minhas compras sacos reutilizáveis. E, é precisamente sobre este último ponto que vos escrevo hoje.

Nem a propósito do Dia do Ambiente (6 de Junho), mas desde que voltei que sinto que estes valores de reutilizar, reciclar e reduzir parecem estar mais marcados – talvez fruto das maravilhas que presenciei nas idílicas ilhas do Hawaii onde fiz snorkelling, ou no paraíso sul-americano da Patagónia em que a natureza se encontra ainda não intocada e o homem não teve tempo para provocar o seu impacto demolidor. Mas também pelas imagens que chegam diariamente pela televisão de praias imersas em palhinhas, de cidades indianas e africanas que são autênticas lixeiras a céu aberto e de baleias e outros animais mortos por se terem erradamente alimentado de plástico que flutua pelos mares. Já todos vimos estas imagens, pelo menos, pela televisão.

Voltando a viver sozinha, foi tempo de ir ao supermercado abastecer o frigorífico e a despensa, tendo decidido que usaria o mínimo de plástico possível. Consegui voltar a casa com tudo o que precisava dentro dos meus sacos reutilizáveis e usando somente com 3 sacos de plástico, dos quais seria dificil escapar: envolviam 2 grupos de carne comprada a peso, envoltos num terceiro para “não sujar”. Frutas e legumes vieram assim como se encontravam: nuas no expositor, de onde passaram directamente para o saco e daí para casa.

Contudo, vi por diversas vezes as pessoas em meu redor – sobretudo as de gerações mais velhas – a envolverem alimentos que em nada precisam de embalagem… que sentido faz colocar frutas como bananas ou laranjas e legumes dos quais em sequer consumimos a casca dentro de um saco? A mesma dificuldade tive ao escolher o pão (já em sacos), ao passar na zona do talho (onde evitei deliberadamente a comida já embalada) e, sobretudo, com a maior parte dos lacticínios.

Estou certa de que todos (ou quase todos) assistimos diariamente às notícias que alertam do caminho sem retorno a que as nossas atitudes estão a conduzir. E, enquanto esperamos que os carros venham finalmente com painéis solares no seu tejadilho, ou que o preço dos veículos eléctricos desça para valores razoáveis, é nosso dever e obrigação contribuir com escolhas diárias e conscientes que diminuam esse flagelo.

parte das frutas e legumes comprados e trazidos sem sacos de plástico

# Números alarmantes sobre o consumo de plástico no mundo
– 8,3 biliões de toneladas – volume produzido entre 1950 e 2015
– Metade desse volume foi produzido entre 2002 e 2015
– 80% encontra-se actualmente em aterros ou “perdido” no ambiente, como lixo
– 40 milhões de toneladas são produzidos por ano (dados de 2015)
– a maior parte do plástico é utilizado em embalagens que são usadas uma única vez
– 1 milhão de sacos é utilizado, por minuto, no mundo inteiro.
– Em Portugal, cada pessoa usa em média 466 sacos por ano!
– 8 milhões de toneladas foram lançados aos oceanos em 2010
– Cada produto demora em média cerca de 400 anos a ser degradado

“259 milhões de copos de café, 10 mil mihões de beatas de cigarros,
40 milhões de embalagens de take-away, mil milhões de palhinhas de plástico e 721 milhões de garrafas descartáveis são consumidos em Portugal em cada ano.”

 

# Dicas simples para reduzir a nossa pegada ecológica
– optar por sacos reutilizáveis (ex:pano), deixando-os sempre no carro após cada ida às compras
– usar garrafas de vidro ou inox, ao invés de comprar recorrentemente as de plástico
– dizer não a produtos desnecessários: palhinhas, cotonetes, sacos dentro de sacos..
– marmitas e tupperwares de vidro – maior durabilidade, mais estético e higiénico
– preparar a comida em casa, poupando dinheiro e evitando os serviços de “pronto a levar”
– igualmente, ao almoçar “no trabalho” leva individuais reutilizáveis e facilmente laváveis (ao invés de usar 30 guardanapos..)
– reciclar papel, plástico e, se possível, vidro e pilhas em casa e no nosso local de trabalho
– repensar o consumo de água nas nossas actividades diárias
– trocar as lâmpadas de halogéneo por lâmpadas LED (maior durabilidade e muito menor consumo)
– para as mulheres, o copo menstrual (uma das melhores invenções dos últimos anos)

embalagens para sandwiches, que podem ser usadadas para transportar qualquer snack ou servir de individual para refeições

E vocês, o que fazem para reduzir o consumo de plástico e outros materiais?
Deixem as vossas sugestões na box dos comentários! =)

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