Os maravilhosos jardins de Villandry

O “último dos castelos edificados nas margens do Rio Loire durante o Renascimento francês” foi também o último dos castelos visitados durante a minha curta viagem ao Vale do Loire, área rapidamente acessível para quem voa para Paris, Nantes ou Tours.

Villandry, datado de 1536, destaca-se dos restantes não pela intensidade da sua estrutura – embora não fique nada atrás dos restantes que percorri nos outros dias – mas sim pelos seus sumptuosos jardins e recantos que fazem as delícias de miúdos e graúdos.

Diz a história que foi aqui que Henrique II (rei de Inglaterra) reconheceu a sua derrota face a Filipe Augusto (rei de França). Dessa época (séc.XVII), restam apenas as fundações e uma das torres. Avançando no tempo, já em 1906, o castelo foi adquirido pelo espanhol Joachim Carvallo, que largou a carreira médica para se dedicar à reconstrução e reabilitação dos jardins conferindo-lhe um estilo renascentista inspirado numa obra do séc.XVI.

Os Jardins

Uma linha vermelha traçada no chão sugere uma alternativa de percurso, embora nem sequer tenha reparado nela de tão envolvida na vontade de desbravar terreno. Contudo, tal nem é necessária: o caminhar é natural e facilmente nos leva a todos os pontos de interesse.

Após atravessar o pátio de entrada e a lateral do castelo, sigo em direcção ao miradouro – nesta plataforma mais elevada, que se estende de forma paralela à principal área de jardins, é possível valorizar o trabalho desenvolvido em termos geométricos, a harmonia dada pelas formas e simetrias e a tranquilidade transmitida pelos tons e escolhas de arbustos e flores.

Em termos organizativos, os jardins encontram-se distinguidos em sete complexos, todos eles “visitáveis” e distribuídos em três níveis.

O Jardim Decorativo
O Jardim decorativo, a par com a Horta, é o ex-libris de Villandry e aquele que mais atenções atrai. Quatro segmentos quadrados foram desenhados “com régua e esquadro”, as plantas alinhadas em representação esquemática dos quatro tipos de amor romântico: o “amor terno”, o “amor apaixonado”, o “amor volúvel” e o “amor trágico”.

Os bosques
O percurso pelos bosques sobe a uma altura de 30 metros, permitindo uma ampla vista sobre o vale e os jardins. Termina junto às estufas e ao Pavilhão da Audiência, uma obra do séc.XVIII. 

O Jardim da Água
É um jardim relvado de estilo clássico debruçado sobre um lago em forma de espelho e ornamentado por tílias que convida a sentar por uns momentos numa das suas sombras.

O Jardim do Sol
Uma área completamente distinta do restante complexo, em que arbustos e plantas em tons amarelos, laranjas, azuis e brancos nos levam até um jardim infantil com macieiras.

O labirinto
Um mini-labirinto de fácil resolução que simboliza o percurso terrestre do homem. De acordo com as informações locais, “é de inspiração cristã, não apresentando – contrariamente ao labirinto grego – caminhos sem saída. O objectivo do visitante não é portanto encontrar uma saída mas elevar-se humana e espiritualmente”, o que consegue ao atingir uma plataforma central.

O Jardim dos Simples
Jardim da Idade Média onde o destaque é dado às ervas aromáticas e medicinais.

A horta
Esta não é apenas uma horta vulgar mas sim um espaço que remonta às primeiras hortas religiosas da Idade Média, altura em que eram cuidadas pelas abadias. É por isso cuidadosamente constituída por nove quadrados idênticos mas de diferentes padrões, cujas cores berrantes são dadas por legumes do dia-a-dia, arbustos e flores. Estes organizam-se de forma geométrica por forma a representar uma cruz e são completados por fontes, pérgolas e canteiros de flores de estilo italiano.

Anualmente são plantadas entre a Primavera e o Verão 115 mil flores e plantas hortículas de mais de 40 espécies, 50% das quais cultivadas nas estufas. A rega é feita por um circuito automático enterrado. Os buxos têm um comprimento estimado de 52Kms e só as cerca de 1015 tílias – podadas durante o inverno e ao longo de 3 meses – necessitam de 4 jardineiros! Em cada plantação é mantida a harmonia das cores e das formas, em consonância com a possível fertilidade do terreno.

O Castelo

Perante a intensidade e envolvência dos jardins, o Castelo ocupa um lugar secundário. É de estilo francês (denominado estilo Henrique IV), por oposição aos de influências italianas e de época medieval dos castelos circundantes que ostentam ainda torres e torreões.  Os telhados fortemente inclinados são negros de ardósia e interrompidos por janelas com pinázios, ladeadas por pilastras ornamentadas.

O seu interior é decorado conforme os ditames do séc.XVIII e foi totalmente restaurado. 

Dados práticos

Acesso: o Castelo de Villandry localiza-se a 15Kms de Tours (D7) e a 250Kms de Paris (A10 e A85).

– O tempo mínimo recomendado para visita aos jardins é de uma hora; o percurso completo está sinalizado a vermelho e tem início no pátio principal do castelo, havendo um segundo percurso a azul para as pessoas de mobilidade reduzida e carrinhos de bebé.

– O tempo mínimo recomendado para a visita do castelo e jardins é de 2 horas.

– O horário de visita é variável, estando em geral o castelo e jardins abertos das 9h às 17h – 19h dependendo da época. Aconselha-se a verificação do site oficial (www.chateauvillandry.com).

– Nos meses de Verão há ainda diversos eventos especiais dos quais se destacam a “Noite dos mil fogos”, em que os jardins são iluminados por 2000 velas e fogo de artifício.

Preços
gratuito para menores de 8 anos.
– somente os jardins –  adultos (7 euros); jovens até aos 18 anos – ou 26 se portadores do cartão de estudante – 5 euros.
– jardins e castelo – adultos (11 euros), jovens até aos 18 anos – ou 26 se portadores do cartão de estudante – 5 euros
– O espaço dispõe ainda de um café que serve pratos, sandes e doçaria inspirados nos jardins e produtos regionais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.