(outras) Highlights de Big Island

A Big Island é a maior das ilhas havaianas. Uma volta completa representa cerca de 483Km, num local em que a diversidade geológica e climatérica é tanta que se contam mais de 10 climas diferentes.

As representações a Pele, a Deusa Havaiana do Vulcão são mais que muitas e patentes nas várias cidades e vilas, sobretudo em demonstrações de street art. Os seus cabelos são comummente representados como correntes de lava, e as erupções mais significativas como alterações do seu humor, num estado de destruição e criação em simultâneo. A lenda diz que nada deve ser retirado da ilha (nomeadamente rocha vulcânica ou as suas areias), pois tal trará muito azar.

Para além dos vulcões, esta ilha tem (muitas) outras coisas a oferecer! Aqui ficam algumas…

 

– Rainbow Falls e Akaka Falls

               No Hawaii é relativamente fácil encontrar cataratas, mas talvez não em tanta abundância como na Big Island. A zona de Hilo é particularmente chuvosa, o que se por um lado se pode tornar aborrecido para o visitante por outro é a grande responsável pela selva luxuriante que aqui se encontra. Ambas as cataratas podem ser visitadas no mesmo dia, ambas são acessíveis por autocarro ou carro e têm um parque de estacionamento próximo.

As Rainbow Falls são mais pequenas (24m) e devem o seu nome ao facto de, a determinadas horas do dia (sobretudo de manhã), a incidência do sol sobre provocar um arco-íris sobre o manto de água. Na sua porção mais elevada existem umas pequenas “piscinas naturais” em que se pode tomar banho; com os cuidados adequados é possível chegar ao topo da cascata (esta é uma caminhada por entre pedras escorregadias e que portanto não deve ser feita por qualquer um). O caudal da cascata influencia dramaticamente a paisagem nos dias mais chuvosos. Diz-se que foi na cave existente por detrás das quedas de água que o rei Kamehameha enterrou os ossos do seu pai.

Rainbow Falls (ou Cascatas do Arco-Íris)

As Akaka Falls pertencem a um parque e reserva natural cuja entrada custa 2 dólares por pessoa (ou 5 dólares por veículo). São enormes (120m), dignas de um filme tipo Jurássic Park, e valem imenso a visita pela sua grandeza e pela paisagem circundante.

os 120 metros das Akaka Falls

 

– Narnia

               Narnia, o local em que qualquer coincidência com o filme se resume a um pequeno portão de metal ao invés de um armário. É uma zona escondida perto de Hilo, sem sinalização aparente e que só podemos suspeitar que existe pela quantidade de helicópteros que sobrevoam o lugar. É um local difícil de encontrar para quem não conhece, embora conste em alguns guias turísticos.

Após uma caminhada de cerca de 4Km em que atravessamos os terrenos de uma propriedade supostamente privada e parte da floresta tropical, chegamos finalmente a um pequeno portão que nada protege (podendo mesmo ser circundado), mas que marca o início deste reino encantado. Depois dele, o caminho antes estreito abre para um enorme descampado de cascatas, floresta e águas frescas. Narnia é casa de mais de 7 cascatas, podendo-se circular entre todas elas a nado e trepando por algumas das rochas.

Este local idílico só deve ser visitado em condições climatéricas especiais (nomeadamente sem chuvas nos dias anteriores), porque se torna traiçoeiro e, por vezes, mortífero.

O “maravilhoso” mundo de Narnia

 

– Lava Tree State Park

               Este parque localiza-se à esquerda da estrada principal, no sentido de quem se dirige de Hilo para o Parque Nacional dos Vulcões. A sua principal atracção consiste na floresta de “lava trees” – moldes de árvores em tempos envoltas em torrentes de lava (1790) que deixaram apenas os seus troncos como memória. Estas formações são possíveis quando a lava, circulando a altas velocidades, encontra árvores molhadas, deixando sobre elas este revestimento eterno.

O trilho tem apenas 1,1Km (cerca de 45min ida e volta) e serve todas as idades. As melhores árvores encontram-se ao longo do Napau Crater Trail.

Lava Tree

 

– Waipio Valley

               O Vale de Waipio foi o responsável pelo facto de a minha estadia na Big Island se prolongar de 2 para 3 semanas… infelizmente, no dia em que conduzi 2 horas em cada sentido para chegar até ele instalou-se uma tempestade de chuva e nevoeiro que impediu qualquer visita que fosse para além de espreitar desoladamente pelo miradouro.

Sem dúvida um dos locais “a visitar” durante qualquer estadia na Big Island, o Vale de Waipio é um lugar histórico e de significado especial para os havaianos. Com terrenos agrícolas extremamente férteis (que salvaguardaram a população da ilha em períodos de fome), várias cascatas e uma linda praia de areia negra de 1,2Km, foi lar de mais de 50 gerações pelo menos até 1946, altura em que foi temporariamente abandonado devido à destruição provocada por um tsunami. Waipio era também o local escolhido para as reuniões dos chefes tribais (incluindo reuniões de sucessão do rei) e primeira escolha nas ocasiões fúnebres, encontrando-se por câmeras e outras estruturas mortuárias nos seus penhascos . Foi também aqui que Kamehameha teve a sua formação como futuro rei.

A população voltou a este local pela década de 60’, mas nunca como anteriormente. Neste vale não há eletricidade, água potável, telefones ou internet, sobrevivendo de painéis solares e geradores.  As montanhas de cerca de 600m de altura que o circundam são tão inclinadas e angulosas que só tornam possível o seu acesso a pé, por veículos 4×4 ou a cavalo.  Os tours de agências locais para visitar o vale andam à volta de 45USD.

Waipio Valley (imagem extraída do google)
a vista (possível) do Miradouro… num dia muito chuvoso!

 – Estrada 137

               A estrada 137 é daquelas que vemos nos filmes clássicos: intermináveis e românticas, para serem feitas devagar, com o sol a espreitar por entre a copa das árvores, as ondas a bater discretamente de um dos lados e uma música suave a tocar ao fundo.

Ela começa “no final” de Hilo – após o Parque Isaac Hale – e leva-nos até Kalapana, onde começam os tours de bicicleta para ver as correntes de lava. Há vários pontos em que se pode parar ao longo do percurso, sendo um deles a praia de areias negras de Kahena.

Estrada 137

 

– Pahoa

Uma pequena cidade (vila?) nas entradas da terra dos vulcões, Pahoa é um bom ponto de paragem para pesticar algo antes ou depois da aventura. Os gelados da Nicoco são dos melhores que já comi (tão bons quanto os da Nanarella e até diria melhores que os da Santini) e o restaurante Kaleo’s Bar & Grill tem umas carnes de comer e chorar por mais.

Pahoa
Ashley é a cara por detrás dos gelados Nicoco

 

– Honokaa

Honokaa é mais uma das cidades históricas de Big Island, localizando-se já muito próxima de Wipio’o Valley.  É uma cidade de estilo vintage rica em descendentes de portugueses, com uma comunidade ainda de certo modo envolvida nas suas origens. Os seus edifícios, de fachadas antigas, ostentam no seu topo o nome (tipicamente de família) e a data de construção.

Caminhando ao longo da estrada principal, ainda é fácil descobrir os edifícios Andrade, Ferreira, Souza, Jesus ou Paiva. O M.S. Botelho Building, por exemplo, foi fundado por Manuel Botelho, um empresário da área dos automóveis que depois se tornou juíz. O seu edifício já teve um estúdio de dança, galeria de arte, salões de beleza, uma seguradora e um posto de correios, entre outros.

Edifícios de famílias portuguesas em Honokaa, Big Island of Hawaii

 

– Banyan Drive

Uma das principais avenidas de Hilo (onde a maior parte dos hotéis se localiza), apresenta imensas e enormes Banyans (Figueiras de Bengala?). Cada uma tem um nome derivado da pessoa ou família que a plantou originalmente, como Amelia Eckhart, Christopher McCandless, Babe Ruth ou Richard Nixon. Numa das porções desta avenida existem os Jardins Lili’uokalani, de estilo japonês.

 

– Uncle Robert’s Night Farmers Market

               Os Havaianos – ou deverei dizer, os americanos – adoram os seus mercados, e este é o principal da ilha.

O Uncle Robert’s é um mercado nocturno que ocorre todas as quartas-feiras à noite em Kalapana, reunindo no mesmo espaço agricultores e artesãos que procuram vender os seus produtos ou criar parcerias com outros empreendedores.

Para além de vários produtos locais, encontra-se facilmente comida de diferentes pontos do mundo (turca, chinesa e até crepes franceses por exemplo), para além de ter um átrio com música ao vivo onde as pessoas acabam por se juntar para dançar ao som do country.

Mercado Nocturno “Uncle Robert”, em Kalapana
música ao vivo

 

– Observatório Astronómico de Mauna Kea

Big Island tem o maior observatório astronómico do mundo, recebendo frequentemente investigadores de todo o mundo nos seus escritórios. Apresenta um total de 13 telescópios e prepara-se para começar a construção do maior telescópio do mundo, numa aliança entre a Califória e o Canadá no valor estimado de 1 bilião de euros. Este super-telescópio será capaz de identificar estrelas e galáxias a mais de 13 biliões de anos luz.

 

– Kukuau Studio

Outro local que não vem nos guias habituais, este estúdio em Hilo é um espaço alternativo com um programa diferente a cada dia da semana – tertúlias científicas, poetry slams, pintores locais e jam sessions. Encontrei-o repleto de músicos, numa segunda feira à noite – o dia escolhido para estes se reunirem para um serão de jazz. A entrada é gratuita.

Kakuau Studio, numa noite de jazz improvisado à 2ª feir

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