#Dia 8 – Pearl Harbor (o peso da História em toneladas de aço)

Pearl Harbor. Já todos ouvimos este termo. Provavelmente associamo-lo ao filme de 2001 com Ben Affleck e Josh Hartnett, mas é muito mais do que isso: o ataque a Pearl Harbor marcou a entrada dos Estados Unidos da América na 2ª Guerra Mundial.

 

Contexto Histórico

A 1ª Guerra Mundial (1914-1918) fomentou o desgaste populacional, económico e identitário de diversos países, ainda não recuperados e terreno fértil quando começam a insurgir e elevar-se os movimentos nazis na Alemanha e fascistas em Itália, assim como o militarismo e imperialismo japonês.

Decorria a época de 40, marcada por relações políticas e económicas instáveis que começavam a ditar uma nova guerra sobretudo na Europa (em que se começava a assistir à hegemonia da Alemanha) e no Oriente (onde o Japão alastrava os seus poderes sobre a Coreia, China e Tailândia, com anexações sucessivas de porções seu território). Esta situação teve o seu expoente máximo com a formação da Aliança do Eixo entre a Alemanha, Itália e Japão, naquilo que se revelou uma ameaça global.

 

extensão do território ocupado pelo Japão

 

 

Em simultâneo os Estados Unidos, até ao momento neutros nos conflitos armados que decorriam e embora expressando o seu apoio ao Reino Unido e China (países progressivamente ameaçados), assistem à Grande Crise Económica com pico em 1929. Com relações mercantis e diplomáticas importantes com o Japão desde 1853, os EUA forçaram-se ao embargo económico como resultado dos avanços daquele sobre os países asiáticos circundantes, com os quais também tinham interesses e comércio estabelecido.

“A nossa segurança não reside em combater nas guerras Europeias. Reside no povo americano e nas suas instituições” – piloto aviador Charles Lindebergh

Receando ter toda a sua frota junto da costa da Califórnia, Roosevelt optou pela sua deslocação quase integral para as ilhas do Hawaii, nomeadamente para a Baía de Pearl Harbor, local “perdido” no meio do Oceano Pacífico, estrategicamente nascido a meia distância entre os continentes Americano e Asiático. Um ataque japonês ao Hawaii era, acreditava-se, “o ataque mais improvável que poderia ocorrer, com hipóteses de sucesso de 1 em 1 milhão”. Para além disso, os japoneses eram vistos pelos como um povo inferior e não tão bem equipado quando o americano (1941).

 

diferença na constituição dos 2 poderes militares, Japão e EUA

 

Contudo, esta opção revelou-se não apenas uma manifestação de poder como abriu uma janela de oportunidade para um ataque que levou um ano a ser planeado. A presença da frota americana no Hawaii representava uma ameaça para o Japão, nomeadamente para a sua conquista dos territórios da Malásia, Filipinas e Índias Orientais Holandesas.

 

A baía de Pearl Harbor com a frota alinhada (foto da época)

 

O ataque a Pearl Harbor e o início da 2ª Guerra Mundial

Em Pearl Harbor, os simulacros eram uma constante do dia-a-dia dos militares, preparando-os para eventuais ataques e reacções de defesa. Um dos principais receios residia sobretudo numa sabotagem interna, uma vez que cerca de 40% da população era descendente de japoneses. Esse receio levou também a que diversas aeronaves fossem alinhadas nos terrenos de Hickam, Wheeler e Bellows como medida preventiva, tornando-os vulneráveis como um todo a um ataque aéreo.

A frota nipónica de 31 navios conseguiu navegar (assim como re-abastecer) de forma indetectável por mais de 6400Km, estabilizando-se a 370Km de O’hau.

O ataque aéreo de 7 Dezembro 1941 decorreu em duas investidas, com duração total de 2 horas até à retirada das forças japonesas. O primeiro ataque usou 183 avisões e o segundo, 30 minutos depois, 167.

ataque aéreo, em cartografia da época

 

Instalados sobre uma baía de águas pouco profundas (13 metros), o plano levou ao desenvolvimento de um sistema de torpedos funcional a somente 10 metros de profundidade, algo inovador na época mas que se revelou altamente eficaz. Foram danificados ou afundados 21 navios e 323 aviões, estimando-se cerca de 2400 mortes (1177 das quais somente no USS Arizona) e perto de 1200 feridos. Por sorte, nenhum dos 3 porta-aviões se encontrava no porto, o que permitiu aos Estados Unidos manter uma das principais armas de combate do Pacífico.

 

O ataque ao USS Arizona

 

A destruição de Pearl Harbor permitiu a conquista rápida do território da Tailândia, Malásia e Hong Kong, entre outros, seguindo-se Singapura, Birmânia e Filipinas.

 

O memorial de Pearl Harbor

O complexo de Pearl Harbor localiza-se sobre a baía, apresentando-se como um amplo jardim aberto que aloja no seu interior uma exposição permanente, um teatro, algumas réplicas dos navios originais e de torpedos e vários memoriais.

Com uma visita livre de não mais de 3 horas de duração é possível visitar com tranquilidade a exposição (com o contexto histórico da 2ª Grande Guerra, as negociações e os detalhes do ataque), assistir ao vídeo de 20 minutos de duração (com imagens e vídeos do ataque aéreo e da – possível – resposta americana) e ir de barco até ao memorial do USS Arizona.

Este memorial em particular (o mais importante do complexo) surge do lado oposto da baía como uma estrutura em pedra branca, com linhas que simulam um navio. Ele foi construído exactamente no local onde o USS Arizona afundou, e portanto sobre as suas ruínas, que ainda são visíveis. No seu interior, num amplo painel em pedra, podemos vislumbrar o nome de todos os oficiais falecidos no ataque.

Para este circuito o acesso é gratuito, pagando-se somente 5 dólares para deixar malas e/ou mochilas. Vale inteiramente a pena (=no tourist trap!.)

 

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