Pessoas como nós

[post em constante actualização]

Não sei se já se aperceberam, mas numa das secções do meu blog criei uma secção a que dei o nome de “Couchsurfing Diaries”. Nela, lembrei-me de entrevistar de forma breve cada uma das pessoas que me ofereceu não apenas um local para dormir, mas com quem partilhei histórias, refeições

Contudo, todos os dias (e isto significa mesmo todos os dias) conheço alguém que faz a diferença e com quem acabo por partilhar bons momentos ou até algumas horas. Em alguns casos, volto a combinar algo para o dia ou dias seguintes.

5 semanas decorridas desde que cheguei ao Hawaii, são inúmeras as oportunidades e crescimento proporcionado por estas pessoas.

O Joe foi a minha primeira experiência a pedir boleia, e mais uma surpresa contra os estereótipos. Confesso que pensei duas vezes, ao espreitar o carro que parou junto à baía de San Francisco. A estatura larga, a barba longa e a banda na cabeça não me deixaram confortável. Mas também, só precisava de uma ajudinha para fazer 2 milhas a subir. As 2 milhas deverão, de forma muito positiva, ter-se transformado em mais de 20. O Joe mostrou-me toda a San Francisco, desde os melhores miradouros a Twin Peaks, passando pelas áreas residenciais de luxo, o Golden Gate Park e até a famosa Lombard Street, por onde desceu de carro como qualquer turista gostaria de fazer. Fiquei a saber a sua história de vida, a da sua família e das suas dificuldades em recuperar após um acidente que lhe queimou a perna. Terminámos a tarde a partilhar uma tosta no bairro italiano, antes de me deixar na estação de comboios que me levaria de volta a San Jose. Nos dias seguintes, manteve contacto por e-mail, perguntando-me sempre como estava e para o avisar se algum dia precisasse de alojamento em San Francisco.

O Joe fez questão de marcar no mapa todos os locais por onde andámos

Já no Hawaii, e numa das viagens de autocarro dispunha apenas 10USD – “insuficiente” para comprar o bilhete de 2,75USD uma vez que a máquina não oferece troco. Prontamente, surgiram moedas de uma carteira alheia que me pagaram a viagem. Um dos passageiros, curioso ao ver uma mulher sozinha tão carregada, perguntou-me de onde era. Perante tamanha surpresa, pegou no seu tablet e, com ajuda do google maps, começou a explorar as cidades existentes ao longo da costa portuguesa.

Meti conversa com o Duke nas China Walls perto de Honolulu simplesmente porque, tal como eu, estava a fotografar os banhistas a saltar do penhasco ao invés de saltar também. Conversa puxa conversa, este rapaz natural de New Mexico e com diversos trabalhos pelo caminho já reside em Ohau há um ano. Combinámos um reencontro para o dia seguinte, para juntos irmos até Lanikai fazer o trilho das Pillboxes e, no dia seguinte, o do farol de Makapuu’u. A Elizabeth, também nesta fotografia, ficou alojada em casa do Taye tal como eu.

Roscoe e Bruce surgiram, mais uma vez, totalmente por força da sorte e do acaso, numa tarde passada na esplanada do Hotel Moana Surfrider em Waikiki. Ambos já acima dos seus 70 anos, começámos a falar apenas porque Roscoe, alguns segundos depois de me ter sentado numa mesa corrida em que também estava sentado, disse fazer anos a 3 de Janeiro. Não há coincidências? Ambos ajudaram-me a conseguir um adaptador para carregar o telemóvel, mostrando-me depois disso o museu do hotel (o mais antigo de Waikiki), um quarto com uma vista inacreditável sobre a praia e o mar e convidando-me para almoçar num espaço com performance de Hula ao vivo. No dia seguinte fomos de carro até à zona este da ilha, a única parte da costa que ainda me era desconhecida. Planeio reencontrar o Roscoe em Big Island.

A alegria do Roscoe a mostrar-nos o quarto onde passa cerca de 2 meses por ano

Conheci o Joe e a Cheryl em Kauai, enquanto dirija por uma estrada de terra (muito batida) em direcção à praia de Polihale. Acabámos por passar uma tarde bastante agradável junto às suas escarpas, onde fiquei a saber que este casal (junto há 31 anos) vem de Ohio.

Com a Chery, nas praia de Polihale
Um dos emails trocados com Cheryl & Joe

 

Marco Mulingbayan, 27 anos e filipino de nascença, veio para os Estados Unidos em 2009. Formou-se em enfermagem na Carolina do Norte, tendo dedicado os últimos 3 anos a trabalhar como “enfermeiro-viajante”, ou travel-nurse como aqui lhes chamam. Cumpre pequenos contratos de 13 semanas em locais distintos (já esteve na California, Nevada, Arizona e Washington, por exemplo), viajando a cada intervalo e no local onde permanece durante esses 3 meses. Neste momento já vai no seu 10º contrato, tendo regressado ao Hawaii pela 3ª vez e planeando ficar na Big Island. Conheci-o em Hilo, onde partilhámos a mesma residência.

No final de 17,7Km (11 milhas) de trilho

Sarah (USA) e Iku (Japão) foram as minhas companheiras em casa de Richard, o couchsurfer que nos hospedou em Maui. Durante uma semana, tive novamente a sensação do que é ter um grupo de amigas bem pertinho de mim… A Sarah já está a organizar a sua vida em Maui. A Iku voltou ao Japão, pretende estudar fisioterapia e reiki e estabelecer-se no Hawaii. Muito diferentes entre si, são duas pessoas que me vão deixar sempre saudades*

Sarah (USA) e Iku (Japão)

A minha família de aventuras argentino-chilenas… Anthony é mestre em bio-engenharia e a Amber é enfermeira do NHS (serviço nacional de saúde britânico). Foram duas das pessoas a quem fiz check-in durante os dias em que trabalhei no hostel em Puerto Natales. Voltei a acolhê-los quando regressaram do Parque Nacional Torres del Paine, e temos estado juntos desde então – tendo percorrido a Ruta 40, parado no Glaciar Perito Moreno, passando alguns dias em El Chaltén para fazer o trilho do Monte Fitz Roy entre outros, correndo a Carretera Austral para visitar as Caves de Mármore em Puerto Tranquilo e apanhando um ferry de Puerto Aysen a Puerto Montt.

No incrível miradouro com vista para o Monte Fitz Roy

O Gabriel e o Dário surgiram no meu caminho completamente por acaso – à semelhança de tantas outras pessoas com quem já me cruzei – mas foram das que mais me custou deixar. Conhecemo-nos num hostel em Puerto Varas (Chile) e seguimos viagem pelas terras argentinas de Villa la Angostura e San Martín de los Andes.        Foram 4 dias inesquecíveis cheios de risos, de piadas intermináveis e de momentos de enorme cumplicidade neste grupo a que chamámos de “Os Pumas da Patagónia”. Sem dúvida que a minha casa estará sempre aberta para os receber!.  (até porque ficou prometida uma ida ao Estádio do Benfica e ainda tenho de converter estes fãs de Messi ao “Cristianismo”).

 

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