My Couchsurfing Diaries: Taye Abiola (O’hau, Hawaii)

Taye Abiola – “O pior da marinha foi a falta que senti da minha mãe”

 

Taye foi o meu principal anfitrião durante as duas semanas que permaneci na ilha de O’hau, Hawaii. A verdade é que este não seria, de todo, a minha primeira opção para alojamento, tendo-me sido sugerido por um dos seus amigos – Chris Rojas, que também me acolheu por 3 dias em pleno Waikiki.

Representa a ideia (estereotipada) que temos do afro-americano típico, grande e corpulento. Um verdadeiro party-animal sempre pronto a vibrar com o melhor hip-hop do momento (que faz questão de colocar em volume máximo no carro), que não descura o estilo usando um dos seus muitos bonés e colar de ouro mas, mais importante do que tudo isto, uma pessoa fantástica de uma enorme boa disposição, sorriso sempre aberto e muito preocupado com o meu bem-estar e em me deixar confortável durante a minha estadia (numa das vezes fez questão de chamar um Uber para que eu não apanhasse o autocarro de volta a casa, dado o adiantar da hora).

O Taye ofereceu-me um dos quartos do seu apartamento próximo de Honolulu, tendo-me levado por algumas vezes a conhecer a ilha. Para além disso, e fruto do seu percurso como cozinheiro na US Navy, tive a sorte de contar sempre com refeições por ele cozinhadas e de privar com diversos dos seus amigos, o que me permitiu entre outras experiências assistir ao fogo de artifício do Hilton Hotel a partir de um dos iates da marina.

 

1.Taye, representas a ideia típica que temos dos afro-americanos, pelo teu porte atlético, boné, colar de ouro e gosto pelo hip-hop. Nasceste no Hawaii?

Nasci em Houston (Texas), mas vim para cá sozinho depois de ingressar na marinha. Tenho dois irmãos, um dos quais é meu gémeo. O nosso irmão mais novo deixou o trabalho dele em Londres recentemente e vem viver comigo em breve.

 

2.Como foste parar à US Navy? Qual a tua ocupação?

Faço parte da US Navy desde Dezembro de 2010. Nos primeiros 5 anos trabalhei como cozinheiro, e depois dediquei-me à terapia ocupacional. O primeiro navio que ocupei foi no Japão entre 2011-2014, e tinha uma capacidade para mais de 1000 pessoas. Depois vim para o Hawaii em 2014, num barco mais pequeno.

 

3.Então alguma vez participaste em algum conflito, ou estiveste sempre na base naval?

Estive na Síria e na Coreia em 2014, e no Médio Oriente durante alguns meses.

 

4.Qual foi a tua pior experiência durante esses anos de trabalho?

O pior foi as saudades que tive da minha mãe nesse período. No final estava a planear ir passar algum tempo com ela, mas ela teve de ser operada de urgência e faleceu 6 dias depois. Já passaram 5 anos…

 

5.O que pensas sobre as políticas actuais, nomeadamente a presidência de Donald Trump e as suas medidas em relação à defesa nacional (relações com a Coreia do Norte, construção do Muro divisório com o México..)?

Não posso falar sobre isso.

 

6.Na plataforma vi que já viajaste bastante, também em sistema de Couchsurfing. Em que países estiveste e para onde vais a seguir?

Normalmente fico em hotéis, em casa de familiares ou com amigos que hospedei anteriormente. Aqui em casa gosto sempre de receber pessoas e de ficar a saber sobre coisas sobre os locais de onde vêm. Vou continuar a disponibilizar a minha casa até ao meu irmão chegar e depois disso também, mas não com a mesma frequência.

 

O estilo do Taye não engana!