Vida num Cruzeiro – Semana 5 e 6

E se as últimas semanas foram um misto de velocidades, entre o passar depressa e o devagar, estes últimos 15 dias já se moveram numa lentidão pouco habitual

              O espírito de natal instalou-se definitivamente, embora seja difícil compreender em que é que isso consiste quando se passa a manhã na praia sob um sol abrasador, em praias de areia branca, águas turquesa e um cocktail na mão. Parece que há ali qualquer coisa que não bate certo!!  O Pai Natal todo agasalhado, pronto para enfrentar o inverno e nós aqui em pleno verão, literalmente à sombra da palmeira. Quase que parece ultrajante haver natal nas Caraíbas, mas assim é!! Por isso, lá temos de nos contentar com os doces pesadíssimos, as bebidas quentes e as decorações que vão sempre buscar os azevinhos, os bonecos de neve, as peúgas e os cachecóis.

              Assim, o PO Azura fez os possíveis por integrar da melhor forma os turistas e a sua tripulação, estas quase 4500 alminhas a bordo deste paquete. Tivemos coros de crianças nos dias de porto e o principal espectáculo nocturno faz diariamente a revisão de todos os grandes clássicos de natal. Neste momento serei a mais fiel conhecedora de todos os hits de natal do Michael Bublé – e eu sei que ele adora o “Frosty, the Snowman”. As cabines foram aparecendo decoradas a preceito pelos próprios viajantes, quase numa saudável competição mas por vezes ali a roçar o foleirote. O capitão ofereceu uns presentes a todos os “crew members”, bem melhor que o festivo gorro de azul que temos de ostentar a todas as horas. A maior parte das equipas tirou uma foto celebrativa de grupo (mas a minha não, que é “especial”….).

              A noite de véspera de natal foi longa e começou cedo. Pelas 20h, milhares de pessoas acomodavam-se nos decks superiores à espera da chegada do Pai Natal, que magicamente apareceu numa das chaminés do cruzeiro. As crianças, claro, vibraram com o momento (e eu também vá). Seguiu-se um jantar igual a tantos outros no refeitório de Oficiais e uma troca de prendas quase tão divertida quanto o Quiz de Natal que tinha tido lugar uns dias antes. Festa puxa festa, reencontrei finalmente as pessoas com quem me tenho relacionado mais e voltámos ao Deck 16 para sentir a meia noite ao som de músicas de natal – não, estou a brincar, eram hits pop britânicos. Deixamos os turistas para trás e rumamos ao ponto mais anterior do Deck 8, o nosso poiso secreto. Aqui temos o bar e a discoteca, os jogos de playstation, o karaoke e a mesa de snooker. E se nestes últimos dias tenho passado alguns bons momentos junto dos filipinos, ontem não foi excepção – sou sem dúvida o melhor e mais jeitoso jogador de snooker do sexo feminino (talvez por ser a única mulher a querer jogar).  

Hoje dia 25 houve um pequeno almoço de natal muito british – uma pequena sandocha com bacon e salsicha e como bebida um sumo de laranja com vinho. Fiquei um pouco desolada! Mas para compensar, nós Oficiais temos jantar num dos melhores restaurantes da casa. 

              Enquanto escrevo este texto aqui na socapa do meu gabinete vazio e sem marcações – eu também não quereria um tratamento em pleno dia de natal!! – o sol põe-se no horizonte, qual bola de fogo perfeita e gigante a esconder-se e a chamar a noite. Em poucas horas o céu vai encher-se de estrelas e, à semelhança de ontem, o sol vai dar lugar a uma lua igualmente cheia e brilhante. Nestes dias de navegação, quem me dera que pudessem ver o mesmo que eu – em qualquer direcção que se olhe só temos 3 elementos: o céu, o mar e o sol ou a lua. 

              Até há cerca de dois anos atrás, viajar sozinha parecia impossível. Até que, fruto de uma viagem a Marrocos que não correu tão bem, peguei nos dias que sobraram e lancei-me para a Eslovénia, com regresso a partir de Veneza. Nesse último dia, enquanto fotografava o Grande Canal, conheci um filipino que tinha abandonado a carreira de enfermeiro para integrar um cruzeiro como fotógrafo. Há uns dias, aquando do meu regresso a Grand Turk, vi-o vir em sentido contrário na minha direcção, a primeira expressão dele tão repleta de dúvidas quanto a minha e depois cheia de surpresa.

  Até há cerca de dois anos atrás, viajar sozinha parecia impossível. Até que, fruto de uma viagem a Marrocos que não correu tão bem, peguei nos dias que sobraram e lancei-me para a Eslovénia, com regresso a partir de Veneza. Nesse último dia, enquanto fotografava o Grande Canal, conheci um filipino que tinha abandonado a carreira de enfermeiro para integrar um cruzeiro como fotógrafo. Há uns dias, aquando do meu regresso a Grand Turk, vi-o vir em sentido contrário na minha direcção, a primeira expressão dele tão repleta de dúvidas quanto a minha e depois cheia de surpresa. Qual é a probabilidade de isto acontecer? Uma pessoa que conheci uma vez e que foi uma das pessoas que me fez ver a vida de outra forma, de repente está no mesmo dia, no mesmo porto, na mesma praia, na mesma hora e a caminhar no mesmo corredor de areia que eu. Não sou crente no destino nem sei interpretar o significado destas coisas. Não sei se é o “fechar de um ciclo” se é o “continua, que vais bem!”. Mas que foi curioso foi.

              Para acabar que isto já vai longo, eu sei que hoje não falei das minhas peripécias laborais. Não fiquem tristes, nada temam! Fica para outros textos 😉  Feliz Natal!

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