Big Island: Dias passados entre vulcões (Parte II)

 Parte II – Keauhou Trail e Puna Coast Trail

Saímos cedo para começar um dos trilhos mais longos da ilha, mas não sem antes nos equiparmos devidamente com um pequeno-almoço num daqueles espaços que tão bem conhecemos dos filmes, rico em todos os clichés, nas empregadas de mesa devidamente trajadas e nas panquecas de encher o olho e não só (o Ken’s House of Pancakes).

Para este fim de semana tínhamos planeado acampar na zona de Halape, numa praia de palmeiras numa das extremidades dos campos de rocha vulcânica. Para lá chegar, um percurso previsto de 10,5Km e cerca de 4 horas de caminhada irregular, metade do qual seria já medianamente “plano”.

De mochilas às costas e com água suficiente, avançámos sem qualquer sombra naquilo que foi apesar de tudo um dia sortudo considerando as condições climatéricas: um dia quente mas não demasiado, sem humidade, sem aguaceiros e sem nuvens suficientemente perto que pudessem dificultar aquilo que já de si se adivinhava difícil.

Cedo nos vimos maravilhados pela variedade de desenhos nos solos, autênticas obras de arte feitas pela natureza e resultantes da solidificação da lava em diferentes sentidos e velocidades. Em alguns locais, um pequeno arbusto a desbotar por entre um terreno completamente árido e robusto fazia lembrar o quanto a vida consegue surgir nas condições mais agrestes. Claro que rapidamente esquecemos os pontos de referência, quais amadores emburrecidos pela paisagem, distracção esta que resultou num desvio de cerca de 6,4Km e mais de 2 horas de caminho mal percorrido.

Após nos sentarmos por algumas vezes, tentando vislumbrar no mapa oficial do parque – feito num preto e branco apagado (ou nunca bem desenhado de início) – um ponto de referência, optámos por caminhar sempre para leste, na esperança de nos voltarmos a encontrar com os amontoados de pedras que serviam de marcadores ao longo do trilho inexistente.

Chegamos à praia cerca de meia hora antes do sol se começar a pôr na falésia, os últimos 3Km já a parecerem intermináveis, acompanhados de duas pernas escoriadas pelo deslize sobre uma rocha que cedeu ao peso dos caminhantes e um joelho esquerdo totalmente agónico pelos “ups and downs” do percurso.

Uma baía de águas de reflexos prateados saúdam os recém-chegados, acompanhados de palmeiras irregulares que já só pensam em tirar os seus ténis e imergir nesta espécie de “soupa terapêutica”.

Exaustos pela jornada, o céu brinda-nos com um manto de estrelas, num local onde não há electricidade, a água das chuvas tem de ser purificada para se tornar potável e não mais que 7 pessoas estavam a acampar em simultâneo.

No dia seguinte, o corpo ainda não descansado no dia anterior, optamos pelo Puna Coast Trail para fazer o regresso. Um duplo arco-íris despede-se de nós e deseja-nos boa viagem, num novo percurso de 18,2Km que desta vez prometia ser mais plano.

Abrimos os olhos perante cada marco de pedras, prometendo seguir sempre os seus descendentes até voltarmos a encontrar a Estrada de Crateras, onde um dos carros estacionado ficou para nos receber de volta. Humildemente, deposito de forma regular uma nova pedra em cada marcador; uma forma de agradecimento pelas que já foram deixadas e de auxílio para os próximos caminhantes.

Ainda extenuante pela distância, este caminho apresenta-se mais simples mas também menos interessante e desafiante, com uma paisagem mais monótona.

Chegamos ao final do 2º dia com cerca de 37,11Km percorridos, calculados pelo pedómetro do telemóvel (vale o que vale), mas muito de acordo com as indicações do tal mapa que não nos valeu de muiyo 😉

O fim de uma jornada de 37,11Km

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