Crónicas de um voluntariado em Beirut (IX)

Crónicas de um voluntariado em Beirut - IX

- sobre voltar -

          Volto a Beirut menos de um mês depois da última viagem, 4 dias após as explosões. Desta vez não venho sozinha, fiz-me acompanhar por mais 5 voluntários e 6 caixotes de medicamentos e material prioritário que não podia esperar por chegar de outra forma.


          Atravessamos a alfândega sem problemas e o nosso maior receio dissipa-se imediatamente. A partir daqui sabemos que tudo vai correr bem.


         No primeiro dia vamos assim directamente ao Hospital Najjar, ao Geatoui e ao Barbara Nassar Association For Cancer Patient Support deixarum caixote a cada. É um quase nada, mas o possível de trazer em mãos nesta altura.

          A cidade está muito mais limpa, apesar de todo o caos que ainda se vive, da destruição patente nas almas e fachadas e da ausência de electricidade nos bairros mais próximos da cidade. O esforço dos libaneses em re-erguer a cidade, com as suas próprio esforço e quase sem ajudas, é notório e já há pequenos estabelecimentos comerciais a re-abrir. Uma réstia de esperança em encontrar alguém com vida dissipou-se com a equipa chilena que esteve também ela voluntariamente 3 dias a trabalhar nos destroços de um prédio mesmo ao lado do local onde tantos dias passei e trabalhei.


          O segundo dia é dedicado às ONGs. Começamos a manhã a distribuir medicamentos porta a porta com a @medonations e a @yara.ojaimi, e a deixar mais um caixote inteiro de doações à @lebanonneeds. O número de feridos estabiliza finalmente e já é possível à @inaraorg parar no fim-de-semana para descansar, pelo que infelizmente rever estas caras terá de ficar para a última vinda.


          Entre copos ao final do dia reencontro o @joaocbsousa, o @lio_alellaje e a @annamohanguzelian, que está cada vez mais recuperada, erguida e brilhante como sempre foi.


          Volto ao Karantina com a intenção de reencontrar a Fátima. Mostro a fotografia a uma criança, provavelmente outra refugiada Síria, que me leva até ela por. Não esperava que me reconhecesse, quando de repente começa a correr na minha direcção. Deixo-lhe uma t’shirt, máscaras, desenhos e balões (e dinheiro à mãe), mas deixo também uma enorme parte de mim para trás na impossibilidade de a trazer comigo.

Beirut - cronica voluntariado9

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