Crónicas de um voluntariado em Beirut (VII)

Crónicas de um voluntariado em Beirut - VII

          A Fatima e a Angie são ambas da Síria… a sua relação com Beirut, vou explicar de seguida.

 

 

          O Karantina é um dos bairros mais pobres de Beirut. Também olha o porto, mas apesar da sua proximidade com o local de explosão (cerca de 2Km em linha recta), foi ainda assim poupado pelo facto de a mesma ter sido mais direccionada para um outro de igual distância, o Gemmayzeh. Com um income médio de 0.80€ dia, muitos dos seus habitantes eram trabalhadores do porto.. . que já não existe.

 

 

          Podem não ter reparado, mas Fatima e Angie encontram-se de mãos entrelaçadas, como se fossem a única coisa que resta uma à outra. Estas irmãs de 6 e 9 anos de idade fugiram de um país em guerra e encontraram refúgio numa cidade que de repente testemunhou uma explosão como nunca nem elas (nem os seus pais ou avós!) tinham assistido nas suas vidas.

 

 

          Ambas apareceram sozinhas na tenda em que estava a trabalhar com a ONG Inara. Ambas referiam que sentiam “dor e coisas estranhas” na perna e no joelho, e tinham medo que fossem vidros. Ambas ficaram felizes com uma simples limpeza e um penso. Nenhuma tinha nada – fisicamente. Ambas tinham trauma de guerra.

 

 

          O Líbano tem mais de 2 milhões de refugiados, muitos deles de países próximos como a Síria ou a Palestina. Vêm em busca de uma vida melhor. O seu acesso às condições de trabalho ou saúde são ainda mais precárias do que para os locais. Fico por várias vezes a pensar o que será destas crianças. Temos tanta, tanta sorte por sermos portugueses, por sermos Europeus. Porque se olharmos bem para fora da nossa redoma de vidro.. que esperança pode haver para países assim?.

Beirut - cronica voluntariado7

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.