Hoje volto pela terceira vez ao Chile, após alguns dias na Argentina onde conheci a chamada zona dos lagos (Villa la Angostura, Villa Traful, San Martín de los Andes).

Ao fim de três meses de viagem e cerca de 6 semanas na América do Sul, vários têm sido os momentos em que, em plena viagem de autocarro, temos de parar e descer com todas as bagagens para passar nos postos fronteiriços. E, entre nós viajantes, sabemos que a fronteira chilena é particularmente exigente.

O Chile dita fortes regras no que se trata do controlo sanitário e da entrada de alimentos no país. Assim, e para além do “óbvio”, tudo o que seja fruta, legumes ou sementes tem de ser declarado.

Habituada às vantagens e practicidade do Espaço Shengen (espaço de circulação livre europeu) e não gostando nada de deitar comida fora, hoje decidi testar a eficiência destas fronteiras.

Aguardando na fila com um viajante australiano – com quem tentei comer todos os deliciosos morangos comprados na véspera – meti um pequeno saco preto com comida para um ou dois dias de viagem dentro da minha mochila com todo o material electrónico. Estamos concretamente a falar de flocos de aveia, 5 pacotes de chá, 4 ou 5 bolachas, um tupperware com lentilhas e legumes que haviam sobrado da véspera, 3 pequenos pães com mortadela e duas bananas.

Após verificação dos passaportes e entrega das declarações de “nada a declarar” (passo a redundância), coloquei a grande mochila de viagem e a outra supra-citada no corredor de Raio X. Na minha mão, um termo vazio, os únicos resquícios de água que pudessem haver e que poderiam dar algum alarme na parte dos “biológicos”.

Do outro lado do sistema de verificação, um dos seguranças pede-me para abrir a mochila. Tira o saco preto para o lado e concentra-se primeiro num pequeno bolso com material electrónico, onde não encontra nada de especial. Encontrava-se já a recolocar o saco dentro da mochila quando se apercebe do peso (das lentilhas, só pode) e pergunta se o pode abrir. No seu fundo, encontra duas bananas.

Pedem-me para os acompanhar, levando-me a um gabinete onde estavam mais dois seguranças. Ai, posso dizer em linguagem vulgar que levei “um verdadeiro raspanete” por carregar duas frutas que não haviam sido declaradas e – pior – após ter jurado em papel por mim assinado que nada carregava.

Rapidamente invento a desculpa de que elas estavam esquecidas no fundo do saco: “olhe como até estão negras e com ar pisado!… já foram compradas há uns dois dias, nunca mais me lembrei delas”. Com ar decidido e ameaçador, o segurança faz por cumprir o papel dele, ameaçando-me com uma multa.

O pequeno episódio termina comigo pedindo “as mais sinceras desculpas”, assinando novo papel em que me declaro portadora de “material orgânico” e escapando-me de pagar a multa.

Bottom line, se vale a pena arriscar uma multa por duas bananas? Não, mas fiquei a saber que as máquinas de Raio X conseguem identificá-las.

Produtos permitidos e proibidos na fronteira chilena

 

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Andreia Castro

Andreia Castro

Viajante antes de ser Médica, vivo com as memórias no bolso, o passaporte na mão e sempre com a próxima viagem marcada.

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