E o Alqueva aqui tão perto…

Quando pensamos em férias pensamos rapidamente em alternativas fora de Portugal. Outras línguas, outras culturas, apanhar um avião e acordar num país totalmente diferente. Quando tal é possível, o nosso país acaba por ficar sempre para segundo plano. E, na verdade, temos tantas e tão boas ofertas cá dentro. Hoje venho-vos falar da região do Alqueva.

Foi a convite do “Rutas y Desarrollo Cultural Lago Alqueva 2020”, com organização a cargo das Viajes Traventure, que passei o primeiro fim-de-semana de Junho em terras de nuestros hermanos. Por entre terras históricas, passeios de barco, um voo de avioneta ou uma masterclass de presunto, foram 3 dias bem recheados dos quais vos venho agora dar um cheirinho.

Apesar da proximidade entre todas estas terras, durante estes 3 dias ficámos hospedados no Hotel AC Badajoz, da cadeia Marriot. São alternativas com boa oferta hoteleiras as terras de Olivenza, Monsaraz ou Reguengos, por exemplo.

Dia 1

Vila de Olivenza

frase na parede do restaurante Casa Malia, em Olivenza
in Casa Malia (Badajoz)

              Olivença foi uma terra portuguesa durante mais de 5 séculos de história, reiterada dos árabes em 1230 e um pequeno período entregue ao cuidado da Ordem dos Templários por Alfonso IX de León, após reconquista de Badajoz. Foi somente em 1297, por intermédio do tratado de Alcanices que esta terra é entregue a D.Dinis, tornando-se um importante centro estratégico nacional.

              Foi em 1801, com a chamada “Guerra das Laranjas” e a assinatura do “Tratado de Badajoz” que se delimitaram politicamente os reinos de Espanha e Portugal, utilizando-se como fronteira natural o Rio Guadiana e tornando-se então parte definitiva de Espanha, sob o nome de Olivenza.

as ruas de Olvienza e a Praça de Touros
as ruas de Olvienza e a Praça de Touros

              Contudo, e à medida que passeamos pelas suas ruas de calçada portuguesa, apercebemo-nos que não é apenas no chão que residem a história do nosso povo. Esta existe também nos frisos de edifícios de gestão pública, em museus e nas igrejas de estilo manuelino e azulejos tão portugueses. Foi declarada “conjunto de interesse histórico e artístico de carácter nacional” em 1964, e é actualmente um importante ponto económico da Extremadura. Mais que isso, é uma vila-fusão de duas culturas, sendo fácil sentirmo-nos em casa.

              Durante a tarde em Olivenza fomos recebidos em pleno edifício da Câmara Municipal, passando também pela Capela da Misericórdia, apreciando a fachada principal de diversos monumentos, deliciando-nos com os traços manuelinos da Igreja da Madalena, conhecendo mais da história local no Museu Etnográfico “González Santana” e caminhando pelas antigas muralhas.

Castelo de Olivenza e Torre de Homenagem

O que não podes perder em Olivenza:
. Castelo de Olivenza e suas muralhas
. Torre de Homenagem (1334, vista panorâmica da torre mais alta de toda a linha de fronteira)

. Convento de San Juan de Diós (Centro de Visitantes do Parque Temático Natural de Alqueva)
. Museu Etnográfico “González Santana”
. Praça de Touros de Olivenza. Praça de Espanha e de Portugal (com púlpito central que simboliza Olivenza)
. Igreja de Santa Maria del Castillo.
. Igreja da Madalena
. Palácio dos Duques de Cadaval (“Ayuntamiento de Olivenza”

O almoço teve lugar no Restaurante Casa Maila, uma casa tradicional e acolhedora em plena praça principal onde pudémos experimentar diversas tapas e uma das mais conhecidas sobremesas locais, a Técula Mécula.

almoço na Casa Malia (Olivenza)
Restaurante Casa Malia (Badajoz)

Cais de Villareal de Olivenza

O final do primeiro diz foi passado junto às águas calmas do Lago Alqueva, o sol pondo-se tranquilamente sobre o seu castelo à medida que o céu ganhava tonalidades rosadas.

Foi também aqui no Embarcadero – ou pequena marina de exploração privada com lugar para cerca de 42 barcos (e licença para que venham a ser ainda mais) – que tivemos a nossa Masterclass de Presunto Ibérico, ficando a conhecer pelas mãos do profissional Pepe Alba as técnicas de criação, corte e serviço desta verdadeira iguaria.

Masterclass de Presunto Ibérico
Masterclass de Presunto Ibérico

O Cais de Villareal oferece um espaço de convívio com restaurante e esplanada relvada e vista desafogada sobre o Alqueva, sendo várias as pessoas que aqui rumam diariamente para passar momentos tranquilos em contacto com a natureza. Tem música ao vivo ao fim-de-semana, acessibilidades adaptadas a pessoas de mobilidade reduzida e aceita marcação de eventos particulares.

Embarcadero de Villareal

Dia 2

Feira do Cavalo e do Touro de Badajoz

              Em Badajoz visitámos a Feira do Cavalo e do Touro e ficámos a perceber a importância da tauromaquia nesta região.

              Esta feira realiza-se anualmente no fim de Maio/ princípio de Junho, tendo tido este ano a sua 11ª edição. Ao longos dos 3 dias há espectáculos a cavalo, concursos de equitação – dressage, salto, horseball… – e apresentações de escolas de equitação assim como espectáculos de flamenco, debates e mesas redondas, workshops, exibições em plena praça de touros recriada para o efeito e muita mostra de comida local.

              Para os amantes de cavalos e da arte de tourear, esta é uma feira imperdível, aberta entre as 11h e as 21h.

Feira do Touro e do Cavalo de Badajoz
Feira do Touro e do Cavalo de Badajoz

Piloto por 1 dia

O despertador tira-nos das nuvens de tecido branco para a realidade nos voltar a levar ao céu logo a seguir. Ao longo de 30 minutos, seguimos caminho em direcção ao Aeródromo El Manantío, onde teremos literalmente a experiência de sermos “Pilotos por 1 dia”.

Aeródromo e Escola de Voo El Mantanío (Badajoz)
Aeródromo e Escola de Voo El Mantanío (Badajoz)

Alinhadas e à nossa espera, somos cada um de nós presenteados com uma brutal experiência de altos voos ao longo da qual observamos de todo um outro ponto de vista Badajoz e Olivenza, os campos trabalhados e serra circundante, as ganadarias e os montes repletos de oliveiras.

              E querem saber o melhor? Esta actividade de 25 minutos custa apenas 80 euros!

Aeródromo e Escola de Voo El Mantanío (Badajoz)
Aeródromo e Escola de Voo El Mantanío (Badajoz)

Praia Fluvial de Montejunto e passeio de barco pelo Alqueva

De ânimo alto após algo completamente diferente do habitual, e com a barriga já a dar horas, rumamos desta vez em direcção a Portugal, sempre ali tão perto.

Praia Fluvial de Montejunto
Praia Fluvial de Montejunto

              Espera-nos a Praia Fluvial de Montejunto, a mesa posta com boa sangria portuguesa, sardinhas e açorda alentejana. Com várias acessibilidades como estacionamento, casas-de-banho onde é possível mudar de roupa e restaurante, esta é uma alternativa fresca e tranquila em pleno Alentejo.

Almoço na Praia Fluvial de Montejunto

              As margens alternam entre verdes e dourados, ocasionalmente com gado que pasta descansado e águas são quentes, de paradas que estão à torreira do sol que nesses dias estava a querer dar muitos ares da sua graça. A bordo de um pequeno iate, saltamos para dentro das águas do Lago Alqueva, águas estas tão portuguesas quanto espanholas ou não fosse este um lago comum aos dois países.

Praia de Montejunto
Praia de Montejunto

Monsaraz e o Observatório Lago Alqueva

Olhando o Guadiana, as planícies circundantes e o Alqueva, Monsaraz foi conquistada aos árabes pela Ordem dos Templários em pleno séc.XIII, após 5 séculos de governação islâmica que controlaram grande parte da Península Ibérica  a partir do séc. VIII. E apesar de não pertencer ao Património Mundial da UNESCO (ainda!), são inúmeros os pontos atractivos de Monsaraz que fazem desta vila a visita perfeita para o fim-de-semana.
Podem ler o meu texto exclusivamente sobre Monsaraz clicando aqui!!

Monsaraz
Monsaraz
paisagens de Monsaraz
paisagens de Monsaraz

O Observatório do Lago Alqueva (OLA) fica localizado na região da vila de Monsaraz, numa localização privilegiada na medida em que embora próximo já se encontra a uma distância que permite a observação nocturna sem grande poluição luminosa. Convido-vos todos a aproveitar as noites de verão e explorar a Vila de Monsaraz e o OLA. O mês de observação por excelência é Julho, em que Saturno também se encontra numa posição mais visível mais cedo e com maior clareza. O OLA oferece também observações solares, cursos de astronomia ou astrofotografia e actividades para escolas. Não deixem passar esta oportunidade!
Podem ler o meu texto exclusivamente sobre o OLA aqui!

Observatório do Lago Alqueva (imagem da Ana Fidalgo)
Observatório do Lago Alqueva (imagem da Ana Fidalgo)

Leiam os meus textos sobre Monsaraz e sobre o Observatório do Lago Aqueva (OLA)
para ficarem a saber mais sobre esta região, assim como preços e horários do OLA!

Dia 3

Alconchel

É em Alcochel que reside a lenda da donzela do Castelo de Miraflores. Diz a mesma que um cavaleiro da nobreza se apaixonou e casou com uma mulher do povo. Pouco tempo antes de partir para a guerra, e com medo de a perder, te-la-á fechado num local secreto, vindo contudo a morrer em plena batalha. A pobre donzela nunca chegou a ser descoberta, ouvindo-se ainda hoje à noite os seus lamentos pelos campos de Alcochel.

Alconchel

Não obstante, o excelente estado de conservação do Castelo justifica obras de remodelação no sentido de, em breve, este vir a ser uma alternativa turística local. Atreves-te?!

Serra de Alor

Entramos no 3º dia ainda com tanto por explorar. De calçado confortável caminhamos pelo trilho desenhado entre plena Serra de Alor, uma das zonas da região mais desejadas pelos amantes de trekking e – em tempos -, também por Diego Corrientes, um verdadeiro herói local ao melhor estilo “Robin Hood”.

Serra do Alor

De inclinação ligeira até ao cume – passando por ovelhas e flora local de onde se destaca a famosa “Rosa de Alexandria”, uma flor autóctone – espera-nos então um miradouro com vista desafogada sobre a planície circundante, as quintas aqui e ali a contrastar com os prados entre o dourado e o verde.

Miradouro da Serra do Alor
Miradouro da Serra do Alor

Safari del Toro

Regressamos aos nossos 4×4 e descemos a Serra, em direcção a Táliga e à Fazenda (“Finca”) Los Espartales, onde nos espera a nossa última aventura: o “Safari del Toro”.

              Pois é, pensavam que só em África havia safaris?!  Pois aqui também algo bem divertido. Sentados nos jipes (ou, no meu caso, em plena carrinha de caixa aberta), desbravamos os terrenos do montado enquanto o seu proprietário nos fala sobre os animais e seus costumes. Por entre touros bravos, esta propriedade conta com cerca de 800 cabeças de gado! Avançamos na sua direcção, enquanto nos olham desconfiados e, não satisfeitos, nos viram as costas (e os rabos!…) com toda a sua elegância.

Safari del Toro em carrinha e Jipe 4×4
Los Espartales

              Após cerca de 45 minutos regressamos a um dos pontos principais da Ganadaria, uma pequena Praça de Touros nas margens da qual nos aguarda um almoço típico: um maravilhoso salmorejo da Extremadura (uma sopa fria) e ensopado de borrego.

Almoço na Finca “Los Espartales”

São agora horas de regressar a casa. Um último café e últimas despedidas dos nossos companheiros de viagem (Callejando por el planeta, Rutas por Espana, Viajamos juntos, Vipavi, It’s me Ana e ADN Aventureiro), assim como dos nossos guias que nos acompanharam de forma tão entusiasta nestas 72 horas.

Esta visita foi parte integrante da viagem (“BlogTrip” #experiencias_alqueva) proporcionada pelo Departamento de Turismo do Governo Regional de Badajoz, ao abrigo do Programa Rota e Desenvolvimento Local Lago Alqueva 2020 (#rdc_la2020) e organização pela Viajes Tranventure (#viajestraventure).

Querem uma experiência semelhante, em regime de meia pensão, por somente 300 euros?! 
Perguntem-me como!!   (voo de avioneta não incluído).

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